Terça, 22 de maio de 2018
(86) 99915-1055
[email protected]
86998523965
Gospel

Gospel

Rafael Menezes Coluna destinada a assuntos Gospel

[email protected]

86998523965

Brasil - Memórias

Postada em 19/11/2017 ás 17h21

Publicada por: Rafael Menezes

Ruptura na CGADB (2ª parte)
Ferreira: ressuscitou a passagem bíblica sobre Abraão e Ló
Ruptura na CGADB (2ª parte)

A primeira grande ruptura institucional na CGADB, aconteceu no fim dos anos 80, com a suspensão do Ministério de Madureira. O Brasil vivia a chamada "década perdida" do ponto de vista econômico, mas muitos avanços democráticos com o fim do Regime Militar (1964-1985). No mesmo período as ADs mergulharam na política partidária com candidatos próprios à Assembleia Nacional Constituinte.

 

Só para lembrar: o Ministério de Madureira, desde os anos 20, sob à liderança de Paulo Leivas Macalão avançava nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. Na década de 1950, Madureira já se firmava como um ministério inter-regional e de grande visibilidade política.

 

Nessa época surgem as polêmicas sobre as "invasões de campo" ou do eufemismo "jurisdição eclesiástica". O crescimento e consolidação dos Ministérios assembleianos, e os projetos de expansão eclesiástica muitas vezes chocavam-se entre si. Madureira quase sempre estava no centro das controvérsias.

 

Com a morte de Macalão em 1982, Madureira viveu uma encruzilhada. Os líderes das ADs ligadas à Missão pressionavam para a desagregação do Ministério, ao mesmo tempo que os principais obreiros de Madureira tentavam solucionar o vácuo deixado pela morte do seu fundador.

 

Na CGADB de 1983, em Aribiri, Vila Velha (ES), a chapa de Madureira encabeçada pelo pastor Manoel Ferreira vence a eleição. Era a afirmação da força do Ministério de Madureira, mesmo com o desaparecimento do seu mítico fundador. Mas Ferreira teve uma inusitada ajuda da Missão: seus principais líderes dividiram-se em outras três chapas concorrentes. 

 

Em 1985, em Anápolis (GO), houve um acordo prévio. Num clima de muita tensão foi aclamada, para a ironia da história, a famosa chapa do "consenso". Segundo Manoel Ferreira: "ficou acordado também que a partir dali, em todas as Convenções, nós acharíamos um entendimento de representação. Madureira teria sua representação e eles teriam outra representação".

 

Segundo essa versão, na CGADB em Salvador (BA) em 1987, só deveria haver uma chapa para ser apresentada e aclamada em plenário. Não foi o que aconteceu. Manoel Ferreira narra, que ao chegar em Salvador, se deparou com uma chapa da Missão já montada, e sem nenhum representante de Madureira. "Nós fomos totalmente ignorados..." afirmou ele recordando os fatos.

 

Na realidade, entre 1985 à 1987, movimentações de bastidores ocorreram para que o acordo estabelecido em Anápolis não vingasse. Líderes do Norte e Nordeste estavam descontentes com a abertura de congregações de Madureira em suas regiões, algo que era visto na época como um verdadeiro sacrilégio.

 

A eleição de Alcebiades seria uma forma de deter esse expansionismo. Da eleição de Vasconcelos em 1987, até a suspensão de Madureira em 1989, as negociações foram tensas. Com a morte de Alcebiades em 1988, assume seu vice, o pastor José W. Bezerra da Costa. É justamente com ele que Madureira é desligada da Convenção Geral.

 

Agora, quase três décadas depois de todas essas controvérsias, o bispo Samuel Ferreira declara seu apoio ao atual presidente da CGADB, o pastor Wellington Júnior. Usa inclusive, a passagem bíblica sobre Abraão e Ló e a briga entre seus pastores, para justificar a nova cisão. Segundo o bispo "Deus livrou de Ló" o pastor Júnior.

 

A maior ironia de todas essas histórias de indas e vindas na CGADB, é que na reunião convencional realizada em Salvador (BA), em 1989 para decidir a suspensão de Madureira, esse foi o mesmo argumento utilizado por um dos líderes da Missão. José Wellington pai estava na presidência da CGADB, e Manoel Ferreira no lado oposto. Agora Júnior tem como aliado o filho do Bispo Primaz.

 

Samuel ressuscitou à sua maneira o discurso. Mas um dia, o Ministério que lidera foi Ló...

 

Fontes:

 

ARAÚJO, Isael. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

 

ARAÚJO, Isael de. José Wellington - Biografia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

 

CABRAL, Davi, Assembleia de Deus: A outra face da história. 3ª ed. Rio de Janeiro: Editora Betel, 2002.

 

DANIEL, Silas, História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. Os principais líderes, debates e resoluções do órgão que moldou a face do movimento pentecostal brasileiro, Rio de janeiro: CPAD, 2004.

 

FAJARDO, Maxwell Pinheiro, “Onde a luta se travar”: a expansão das Assembleias de Deus no Brasil urbano (1946-1980), (Tese de Doutorado em História) Assis-SP: UNESP, 2015.

 

FERREIRA, Samuel (org.) Ministério de Madureira em São Paulo fundação e expansão 1938-2011. Centenários de Glórias. cem anos fazendo história 1911-2011 s.n.t.

 

FIDALGO, Douglas Alves. “De Pai pra Filhos”: poder, prestígio e dominação da figura do Pastor-presidente nas relações de sucessão dentro da “Assembleia de Deus Ministério de Madureira”. Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da UMESP.

 

FRESTON, Paul, Breve história do pentecostalismo brasileiro, In: ANTONIAZZI, Alberto. Nem anjos nem demônios: interpretações sociológicas do pentecostalismo. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.

 

VASCONCELOS, Alcebíades Pereira; LIMA, Hadna-Asny Vasconcelos. Alcebíades Pereira Vasconcelos: estadista e embaixador da obra pentecostal no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

R10 no Facebook:
imprimir
Veja também
Revista R10
Últimas
Mais lidas da semana
TV R10
© Copyright 2018 - Portal R10 - Todos os direitos reservados
TV R10 Municípios Colunas Anuncie Fale conosco
Site desenvolvido pela Lenium