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Acidente Argentino

Postada em 28/11/2017 ás 09h53 - atualizada em 28/11/2017 ás 10h07

Publicada por: Mateus Guedes

Última mensagem do submarino argentino desaparecido
Na última transmissão, o capitão informou sobre um curto-circuito, um incêndio nas baterias e da entrada de água no sistema de ventilação
Última mensagem do submarino argentino desaparecido

Um militar a bordo do 'P-8 Poseidon' da US Navy, em um voo de reconhecimento em busca do submarino 'ARA San Juan'. EFE

“Entrada de água do mar pelo sistema de ventilação no tanque de baterias N° 3 causou curto-circuito e começo de incêndio no local de barras de baterias. Baterias de proa fora de serviço. No momento em imersão, propulsando com circuito dividido. Sem novidades da tripulação manterei informado”. Essa é a última mensagem do ARA San Juan, o submarino argentino desaparecido no Atlântico Sul com 44 tripulantes a bordo, como revelou na noite de segunda-feira o canal A24 de Buenos Aires. Após avisar a base de que teve um problema nas baterias de propulsão, o ARA San Juan desapareceu sem deixar rastro.

A última comunicação ocorreu quando o San Juan navegava pelo Golfo San Jorge, a 450 quilômetros da costa argentina. Foi emitida às 8h52 (9h52 de Brasília) dessa mesma manhã, assinada pelo comandante da Força de Submarino e dirigida ao Comando de Treinamento.

O porta-voz da Marinha, Enrique Balbi, confirmou a veracidade da mensagem. “A água entrou através do sistema de ventilação no local das baterias produzindo um curto-circuito e um princípio de incêndio, ou seja, sem chama. Isso foi resolvido, as baterias foram isoladas e o submarino continuou navegando com outro sistema de baterias”, explicou Balbi.

A Marinha argentina (Marinha de Guerra) confirmou na sexta-feira que ocorreu uma explosão a bordo registrada no mesmo dia do desaparecimento do submarino, mas disse que as avarias foram resolvidas. A Marinha não deu importância ao incidente, até que horas depois todo o contato com a embarcação foi perdido.

O submarino zarpou no domingo 11 de Ushuaia (3.200 quilômetros ao sul) de retorno a Mar del Plata (400 quilômetros ao sul), seu porto habitual. A busca centra-se agora em uma região de 74 quilômetros, uma área minúscula comparada aos 600.000 quilômetros de uma semana atrás. Mas os marinheiros repetiram na segunda-feira a frase que os jornalistas escutam desde o primeiro dia: “Infelizmente, não há rastros do submarino”. Toda a atenção se concentra no local onde os sensores registraram a explosão, enquanto uma cápsula não tripulada de resgate enviada pelos Estados Unidos se dirige ao local, capaz de submergir até 600 metros.

O porta-voz da Marinha admitiu que após 12 dias só podem existir sobreviventes se conseguiram se adaptar a uma situação “extrema”. Ninguém mais se pergunta quanto pode ser o oxigênio disponível no interior do submarino e se o casco pode ou não resistir à pressão de grandes profundidades. Balbi se limitou ao detalhe da mobilização de barcos e aviões que procuram o ARA San Juan no Golfo San Jorge, a quase 400 quilômetros da costa, justo quando termina a plataforma continental e a profundidade aumenta abruptamente. Cinco barcos rastreiam com sonares o fundo do mar, enquanto aviões da Argentina, Brasil e Estados Unidos procuram algum indício do ar.

A incerteza alimentou todo o tipo de versões nas redes sociais sobre o que pode ter acontecido aos 44 tripulantes. Muitas delas penetram na opinião pública e sobrevivem ao efêmero da mensagem, por mais disparatadas que sejam. Balbi precisou desmentir que o submarino tenha sido atacado por uma força militar estrangeira e que a explosão registrada por uma agência da ONU na quarta-feira do último contato foi culpa de uma mina abandonada na época da Guerra das Malvinas, em 1982. “Não temos indícios de que tenha ocorrido um ataque exterior. E não temos indícios de minas. Além disso, se elas existissem, uma mina localizada a essa profundidade não poderia explodir”, disse Balbi.

Enquanto isso, os familiares dos 44 tripulantes viveram na segunda-feira momentos de tensão por discordarem se existem ou não sobreviventes dentro da base naval de Mar del Plata, onde permanecem à espera de alguma novidade. O incidente ocorreu quando Itatí Leguizamón, mulher de um dos 44 tripulantes, foi agredida por parentes de outros marinheiros após ela dar como certo na televisão que os submarinistas “estão mortos”.

Fonte: El Pais

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