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Cidades - Governador

Postada em 10/05/2018 ás 20h35 - atualizada em 11/05/2018 ás 08h01

Publicada por: Ilton Barata

Fonte: Folha

Flávio Dino diz que candidatura de Lula é inviável e pede que esquerda passe a apoiar Ciro Gomes
De acordo com Flávio Dino, Lula está inabilitado e o PT não tem nome capaz de unir as esquerdas nesse momento.
Flávio Dino diz que candidatura de Lula é inviável e pede que esquerda passe a apoiar Ciro Gomes

Em entrevista concedida à Folha de São Paulo, publicada na última terça-feira (08), o governador Flávio Dino (PCdoB), apontado como um dos maiores aliados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT),  surpreendeu ao sugerir que o PT esqueça a candidatura de Lula e passe a defender uma aliança em torno de Ciro Gomes (PDT), num acordo envolvendo o seu partido e o PSOL, que também deveriam esquecer a ideia de candidatura própria a fim de garantir a oportunidade da esquerda eleger o futuro presidente.

De acordo com Flávio Dino, Lula está inabilitado e o PT não tem nome capaz de unir as esquerdas nesse momento, portanto “está chegando o momento de admitir uma nova agenda. Se não oferecermos uma alternativa viável, você pode perder a capacidade de atrair outros setores do centro que se guiam também pela viabilidade”.

O governador lembra que, sem Lula na disputa, as pesquisas apontam que o ex-governador cearense é o que mais absorve o eleitorado de Lula, cerca de 15%, enquanto a candidata do seu partido, Manuela D´Ávila, apenas 3%.

Prisão – Sobre a situação do ex-presidente, Flávio Dino diz que  sua prisão é “muito dilacerante, muito traumática, uma tragédia política, a maior derrota da esquerda brasileira desde o golpe militar de 1964”. Ainda de acordo com o governador, é pior que o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), “pelo simbolismo de o maior líder popular do país ao lado de Getúlio Vargas está fora da eleição”, afirmou.

Pela avaliação do governador, passado um mês da prisão da ex-presidente, chegou o momento dos seus aliados admitirem que está  candidatura tornou-se inviável e comecem a traçar estratégias para vencer a eleição. Caso isto não ocorra, a divisão pode resultar numa tragédia pior, que seria a vitória de um candidato de centro ou da direita.

Segundo Dino, “o ponto de interrogação que está dirigido sobretudo ao PT é se nós queremos uma eleição apenas de resistência, de marcar posição, eleger deputados, ou ganhar a eleição presidencial”. Para ele, a esquerda tem chances de ganhar a eleição “porque o pós-impeachment deu errado. O fracasso do Temer é o fracasso da alternativa que se gestou a nós.”.

Na entrevista, ele discorda da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, insistir em manter a candidatura de Lula. Para ele, “a tática de marcar posição é derrotista e não honra a importância do Lula, porque abre mão da possibilidade de haver uma virada geral na sociedade que possibilite julgamentos racionais dele”, afirmou.

Discordam – Flávio Dino observa ainda que a aliança dos partidos de esquerda deveria ser ainda no primeiro turno, pois até o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad sustenta a necessidade de diálogo, assim como o ex-governador da Bahia Jaques Wagner é simpático à idéia. A presidente do PT, no entanto, contestou: “Mas ele não sabe que o Ciro não passa no PT nem com reza brava?”, reagiu.

Outro que discorda de Flávio Dino é o deputado paulista e ex-ministro dos Esportes Orlando Silva, do PCdoB, que vê a retirada do nome de Manuela D´Ávila com ceticismo. “Ciro será candidato, o PT terá também. Boulos ficará na disputa. E ainda tem o ex-ministro do Supremo Joaquim Barbosa. Manuela traz frescor à disputa. É novidade, consistente. Não há motivos para não ser candidata”, afirmou Orlando.

Na mesma linha de Orlando Silva, o presidente do PSOL, Juliano Medeiros, adota linha similar. “É necessário construir pontes entre partidos e setores sociais que estão preocupados com a escalada de ódio e intolerância”, afirmou. “Mas a candidatura de Guilherme Boulos é indispensável.”

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