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29/05/2024 08h12
Por: Cristina

Vaticano pede desculpas após Papa falar que seminários estão 'cheios de viadagem'

O Vaticano afirmou nesta terça-feira (28) que o papa Francisco não teve a intenção de usar linguagem homofóbica e pediu desculpas a qualquer pessoa ofendida, após relatos de que teria usado um termo altamente depreciativo para descrever a comunidade LGBT. É extremamente raro que um papa emita um pedido público de desculpas.

Matteo Bruni, porta-voz do Vaticano, declarou por email: "O papa nunca teve a intenção de ofender ou se expressar em termos homofóbicos, e pede desculpas àqueles que se sentiram ofendidos pelo uso de um termo relatado por outros". A mídia italiana noticiou na segunda-feira (27) que Francisco usou o termo italiano "frociaggine", que pode ser traduzido como "bicha" ou "viado", ao expressar sua oposição à admissão de gays no sacerdócio durante uma reunião a portas fechadas com bispos italianos.

Vaticano pede desculpas após Papa falar que seminários estão 'cheios de viadagem'

O site italiano de fofocas políticas Dagospia foi o primeiro a informar sobre o suposto incidente, citando fontes anônimas que estavam presentes. O jornal Corriere della Sera, por sua vez, sugeriu que o papa, como argentino, talvez não tivesse percebido que o termo italiano era ofensivo.

Bruni afirmou que Francisco estava "ciente" das reportagens e reiterou que o papa continua comprometido com uma Igreja acolhedora para todos, dizendo: "Nada é inútil, ninguém é supérfluo, há espaço para todos".

Os comentários relatados causaram choque e consternação, mesmo entre seus apoiadores. Vito Mancuso, um teólogo italiano e ex-padre, disse ao jornal La Stampa que a linguagem de Francisco foi "desapontadora e surpreendente, pois destoa flagrantemente" de suas mensagens anteriores sobre questões LGBT.

Francisco, que tem 87 anos, tem sido creditado por fazer aberturas substanciais para a comunidade LGBT durante seu papado. Em 2013, no início de seu pontificado, ele disse a famosa frase: "Se uma pessoa é gay e busca Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgar?". No ano passado, ele permitiu que os padres abençoassem membros de casais do mesmo sexo, desencadeando uma reação conservadora substancial.

Em 2018, Francisco admitiu ter cometido "erros graves" ao lidar com uma crise de abuso sexual no Chile, onde inicialmente descartou como calúnia as acusações contra um bispo suspeito de proteger um padre predador. "Peço desculpas a todos aqueles que ofendi e espero poder fazê-lo pessoalmente nas próximas semanas, nas reuniões (com as vítimas)", escreveu ele em uma carta aos bispos chilenos.

Os comentários recentes de Francisco são vistos como um revés em sua postura geralmente inclusiva, e o pedido de desculpas representa um esforço para mitigar o impacto negativo e reafirmar o compromisso do papa com uma Igreja que acolhe todos os fiéis, independentemente de sua orientação sexual.

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