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Internacional - Pesadelo

Postada em 11/11/2018 ás 11h00

Publicada por: Gustavo Miranda

Guerra na Síria ainda assombra menina que narrou o horror diário
"Eu chorava, e ninguém aparecia, eu estava sozinha",disse ela.
Guerra na Síria ainda assombra menina que narrou o horror diário

Foto:Reuters / Umit Bektas

Um dia Bana Alabed sonhou que uma bomba caía em sua casa e matava todo mundo. E ela sobrevivia.

"Eu chorava, e ninguém aparecia, eu estava sozinha. Tentei ir à casa de uma amiga, mas ela também não estava lá. A casa dela havia sido destruída, estava tudo destruído. Fiquei tão assustada! Eu tentei sair do meu sonho e, mesmo dormindo, comecei a chorar."

Pesadelos como esse ainda assombram a menina de 9 anos que está há quase dois anos fora de Aleppo, na Síria, onde nasceu, passou parte da infância e enfrentou a guerra.

Pesadelos como esse ainda assombram a menina de 9 anos que está há quase dois anos fora de Aleppo, na Síria, onde nasceu, passou parte da infância e enfrentou a guerra.

A capital econômica do país foi a cidade mais castigada pela guerra civil iniciada em 2011, que deixou 5 milhões de refugiados, de acordo com a ONU, e mais de 500 mil mortos, segundo a ONG Observatório Sírio para os Direitos Humanos, sediada em Londres.

Bana foi resgatada com a família -a mãe, o pai e os dois irmãos mais novos- em dezembro de 2016 e levada para a Turquia, onde vive hoje e de onde conversou com a reportagem.

Ficou conhecida mundialmente por usar o Twitter para narrar o dia a dia da guerra, falar de seus medos e pedir paz. O relato ocupa agora as páginas de um livro, assinado por Bana e pela mãe, Fatemah, 28, intitulado "Querido Mundo", que ganhou recentemente versão em português.

Os traumas da guerra, porém, são temporariamente esquecidos quando Bana fala de um de seus temas favoritos: as princesas da Disney. "Minha favorita é a Rapunzel, por causa do cabelo dela que é longo, mágico e colorido. Gosto de coisas coloridas e mágicas e quero que meu cabelo seja tão longo quanto o dela."

Afastada do cenário de terror, a pequena escritora faz planos para o futuro. "Quero ser professora para ensinar novas línguas, como francês e inglês. E também quero ser médica, porque gosto de ajudar outras crianças quando elas estão machucadas. Quero poder salvá-las."

Aos 6 anos, Bana testemunhou a morte de uma amiga após um bombardeio.

"Como não tínhamos mais ambulância nem a polícia para nos ajudar, algumas pessoas tinham formado um grupo e se oferecido como voluntárias para ajudar quando as pessoas estavam machucadas ou presas nos escombros. [...] Um homem, então, ergueu um corpo das pedras [...], era Yasmin. Ela estava mole como se estivesse dormindo [...]. Eu não conseguia me mexer ou respirar", conta , em uma das passagens do livro.

Em outro trecho, Bana fala do receio de que as bombas destruíssem sua casa -o que acabou acontecendo. "Eu estava com muito medo de que nosso prédio desmoronasse em cima de nós e ficássemos enterrados debaixo das pedras. Eu não parava de me perguntar como seria. O que a gente sente quando morre?"

A guerra deixou sequelas que, ainda hoje, a família Alabed tenta superar. "Cada criança síria teve sua vida transformada. Muitas perderam os pais, os irmãos, seus familiares. Viram pessoas morrendo", lamenta Fatemah, 28.

"Às vezes me sinto culpada, porque sei que meus filhos perderam sua infância e eu os pus em perigo, mas nossa esperança era que a guerra terminasse. Tentamos manter a vida que nós conhecíamos. Na Síria estão nossas raízes, nossa cultura. Ainda hoje nos meus sonhos estou lá."

Os irmãos de Bana -Mohamed, 7, e Noor, 5- não querem voltar. Sentem medo. O caçula, por causa do trauma, demorou para começar a falar. Mas a primogênita, como a mãe, ainda guarda lembranças preciosas de uma Aleppo que não existe mais.

Ela quer seu país de volta e considera a Síria sua única casa, mas se diz satisfeita com a nova vida na Turquia.

"Estou segura. Brinco sem medo e tenho água limpa para beber. Só que ainda me sinto triste no meu coração, pois queria que as outras crianças pudessem viver como eu."

A grande repercussão faz com que Fatemah ainda se preocupe com a segurança da família. Ela mantém em segredo o local onde vivem e não revela se ainda têm parentes morando em Aleppo.

Faz questão, no entanto, de dizer que, apesar de orientar a filha, deixa que ela aja de acordo com seus princípios.

"Quero falar com as pessoas sobre a Síria, pois precisamos ajudar quem está lá, sofrendo", explica Bana.

"Com o fim da guerra, todo o mundo estaria salvo, e viveríamos mais felizes. Esse é o meu maior sonho." 

Fonte: Folhapress

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