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Professor Newton Neto Professor graduado em Língua Portuguesa, graduado em Língua Espanhola, Pós- graduado em Docência Superior, autor da Obra Português Descomplicado, com publicações na área de Linguagem. Leciona em preparatórios para Concursos e possui cursos online nas melhores plataformas educacionais do país.

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Geral - O que é nosso!

Postada em 19/11/2018 ás 10h51 - atualizada em 19/11/2018 ás 11h07

Publicada por: Professor Newton Neto

O doce sabor da canção Cajuína
Uma história de arte e amor.
O doce sabor da canção Cajuína

Olá, meus amigos, estão prontos pra mais um dedo de prosa? Começo abrindo a porta para vocês entrarem  com um poema de Fernando Pessoa que será o prenúncio de nosso papo: “ O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia...”

Nos versos de Fernando Pessoa, percebe-se, entre outras coisas, a sensação do que seria mais valoroso quanto à realidade daquilo que realmente está próximo, que é seu. A imponência do Tejo, nesse paradoxo imagético, curva-se  diante da pequenez do rio de sua própria aldeia na escolha do que é palpável, íntimo, próximo...

Pois bem, na companhia de Pessoa, venho pôr à mesa uma linda canção a qual carrega, em seu bojo, o lirismo mais que visceral de nossa essência nordestina e algo que desfila entre o imaginário da existência e a utopia dessa aventura de viver.

Gravada em 1979, a canção Cajuína tem letra e melodia de um impacto verdadeiro e profundo que trata da brevidade da vida e de seus mistérios. Entre oito versos parecem existir outros mil que gritam e pulsam intensamente. Em turnê pelo Piauí, Caetano voltara à terra de um de seus maiores parceiros, o anjo torto Torquato Neto. Caetano recebeu a visita de Dr. Heli, pai de Torquato, pela primeira vez após o suicídio de Torquato. Na ocasião, Caetano aceitou se desnudar de toda a resistência que o sustentara até aquele momento desde a notícia do falecimento de seu cúmplice e amigo... chorou e sentiu a dor que estava sufocada. O pai de Torquato resolve levá-lo até a sua casa e juntos reviveram memórias, riram e choraram juntos. Dr. Heli presenteia Caetano com uma rosa-menina, colhida há pouco em seu próprio jardim. Serviu Cajuína, com o propósito de adoçar a vida e o coração. Aquele gesto tocou Caetano profundamente , a doçura da Cajuína e o encantamento da rosa seduziram-no por inteiro. Dias depois, surge a canção que nos inspira, emociona e faz dançar com o corpo e com o devaneio da mente.  Um pouco de cada um de nós está presente nesta homenagem doce e perfumada. Falar maravilhas de todas as canções de Caetano é algo válido e mais que justo. Mas amar a canção Cajuína nos acerta em cheio, é como sussurrar baixinho no ouvido do nosso coração. Que me perdoem os amantes das canções Sampa e London, London... mas como diria Leon Tolstói: “ Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia”. Com os olhos marejados e o coração apaixonado, encerro nosso papo sugerindo que você vá imediatamente ouvir Cajuína e se deliciar com essa canção, doce como a bebida homônima. Até breve!

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