Sábado, 19 de setembro de 2020
86 9 9834-2372
Receba notícias pelo WhatsApp WhatsApp
Camanha ProPiauí Julho
Brasil - Educação

Postada em 22/11/2018 ás 07h51 - atualizada em 22/11/2018 ás 08h42

Publicada por: Gustavo Henrique

Escolha de Mozart como ministro gera crise na bancada evangélica
A definição causou reação de deputados contrários à seleção.
Escolha de Mozart como ministro gera crise na bancada evangélica

Foto: reprodução

A escolha do futuro ministro da Educação do governo de Jair Bolsonaro (PSL) gerou uma crise da equipe de transição do presidente eleito com a bancada evangélica no Congresso.

O nome de Mozart Neves Ramos, diretor do Instituto Ayrton Senna, definido por Bolsonaro para assumir o cargo, causou reação de deputados contrários à seleção - Ramos é tido como moderado entre funcionários do ministério.

Com a pressão por uma desistência do educador, o colombiano Ricardo Vélez Rodriguez foi chamado às pressas de Juiz de Fora (MG) para conversar com Bolsonaro nessa quarta-feira (21). O nome do professor já circulava entre os cotados para a pasta.

Rodriguez é formado em filosofia pela Universidade Pontifícia Javeriana e em teologia pelo Seminário Conciliar de Bogotá. Hoje é professor associado da Universidade Federal de Juiz de Fora.

A informação da escolha de Mozart vazou na quarta (21), um dia antes da reunião marcada com Bolsonaro para selar a indicação. Em nota, o Instituto Ayrton Senna disse que Mozart não foi convidado e que terá reunião com Bolsonaro nesta quinta-feira (22).

Nas redes sociais, após a veiculação do nome de Mozart e a reação da bancada, o presidente eleito disse que "até o presente momento não existe nome definido para dirigir o Ministério da Educação".

Ao site O Antagonista, Bolsonaro afirmou que "não existe essa possibilidade", ao comentar a nomeação do diretor do instituto.

Segundo relato à Folha de S.Paulo de pessoas próximas ao educador, ele foi sim procurado na semana passada e acenou ao futuro governo federal que aceitaria o posto.

O plano da equipe do presidente eleito era de que o nome fosse oficializado nesta quinta após a reunião, em Brasília, quando Mozart e Bolsonaro discutiriam condições para ele assumir a pasta.

Membro da bancada evangélica no Congresso, o deputado federal Sóstenes Cavalcanti (DEM-RJ) disse que os parlamentares levaram a insatisfação ao futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS).Onyx, segundo ele, confirmou que teve conversas com Mozart, mas que nada havia sido definido.

Cavalcanti afirmou que o nome de Mozart "desagradou e muito". "Para nós, o novo governo pode errar em qualquer ministério, menos no da Educação, que é uma questão ideológica para nós", disse.

O perfil do educador é classificado por servidores do Ministério da Educação como moderado. Em nenhum momento, por exemplo, ele deu declarações a favor do projeto da Escola sem Partido ou contra discussões sobre gênero em sala de aula.

Os dois temas, em debate no Congresso contra o que seria uma doutrinação partidária por professores, serviram para alavancar o nome de Bolsonaro no cenário nacional bem antes de sua pré-candidatura presidencial.

Com apoio dos evangélicos, o presidente eleito foi um dos líderes do movimento contra a discussão do que chamam de "ideologia de gênero" nas escolas.

No governo Dilma Rousseff (PT), ele denunciou a entrega para alunos do que, segundo ele, seria um kit em que se ensina a ser homossexual, o "kit gay", e de um livro de educação sexual para crianças.

A campanha envolvendo esse tema serviu de motor político para Bolsonaro, como o próprio reconheceu.Mozart chegou a ser sondado pelo presidente Michel Temer (MDB) para o mesmo cargo em 2016, mas, na época, recusou. Da mesma forma, declinou de um convite de João Doria (PSDB) para integrar o secretariado da Prefeitura de São Paulo.

Antes de assumir o cargo no instituto, Mozart foi presidente do Movimento Todos pela Educação e professor e reitor da Universidade Federal de Pernambuco. Ele também foi secretário de Educação daquele estado.

Em 2010, em entrevista à Folha, ele disse ser necessário criar uma agenda para a educação que não seja de governo, mas de Estado.

"Há uma clareza muito grande de que, após a redemocratização do país, após a economia ficar sólida, a terceira revolução que a gente tem de fazer é a da educação: é preciso envolver toda a sociedade nisso", disse.

O desejo inicial do presidente eleito era ter à frente da pasta a presidente do Instituto Ayrton Senna, Viviane Senna, mas ela demonstrou resistência a assumir o posto.

Na semana passada, em um encontro sigiloso, Viviane e Mozart se reuniram com o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Após a reunião, Mozart negou à Folha que tivesse havido sondagem para o cargo ministerial durante a reunião.

Caso a nomeação se confirme, ela representará um ponto para a deputada eleita Joyce Hasselmann (PSL-SP), que foi quem apresentou Viviane a Bolsonaro. Ainda na campanha, Viviane visitou Bolsonaro em sua casa, no Rio de Janeiro.

Outra deputada federal com ascendência sobre Bolsonaro, Bia Kicis (PRP-DF), no entanto, reprova a nomeação de Mozart por considerá-lo "globalista", ou seja, não alinhado ao Escola sem Partido.

Viviane é irmã de Ayrton Senna, piloto tricampeão brasileiro de Fórmula 1 que morreu em acidente em 1994, enquanto competia na Itália.

Fonte: Folhapress

R10 no Facebook:
imprimir
Veja também
TV R10

»

Jornal Portal R10

»

Blog do Lucão (Timon e Região dos Cocais) Por Lucas Stefano

Escolas municipais de Timon disputam prêmio Gestão Escolar 2020

Corrente-PI Por Simone Borges

Corrente é destaque no Índice de Governança Municipal

Beneditinos Por Cascatinha Pessoa

Veja o eleitorado atualizado na 47ª zona eleitoral em Beneditinos

Gilbués-PI Por Lucas Oliveira

Amiltinho e Chiquinho consolidam suas candidaturas

Anísio de Abreu Por Gleniston Ferreira

IDEB aponta qualidade na Rede Municipal de Educação de Anísio de Abreu

Mais lidas da semana

»

© Copyright 2020 - Portal R10 - Todos os direitos reservados
R10 TV Municípios Colunas Anuncie Fale conosco
Site desenvolvido pela Lenium