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Política Palestra
30/11/2018 10h00 Atualizada há 2 anos
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Procuradores se revoltam com erotismo e defendem Escola sem Partido

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Nessa quinta-feira (29), sexo oral, orgias, pênis eretos e homossexualidade foram o tema de uma palestra de Guilherme Schelb, procurador regional da República, para cerca de 40 colegas de Ministério Público. Com o auxílio de imagens, ele mostrou conteúdo que, segundo ele, foi exposto a crianças e adolescentes. “A situação é grave. Você acha que uma menina de 14 anos está consciente para fazer sexo?”, questionou.

Era a primeira edição do “Congresso Nacional do MP Pró-Sociedade”, planejado por ativistas conservadores brasilienses da corporação. Entre as presenças ilustres estavam a deputada federal eleita Bia Kicis (PRP-DF), ex-procuradora e ativista da página Revoltados On Line, com centenas de milhares de seguidores, e o advogado Miguel Nagib, fundador do movimento Escola sem Partido.

A palestra de Schelb, brevemente cotado para o ministério da Educação na semana passada, se chamava "Pornografia infantil X arte. Manifestação cultural ou crime?". Enquanto ele falava, Kicis usava pequeno um tripé no celular para transmitir a palestra em rede social.

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Sorridente e articulado, Schelb não economizou nas ilustrações de seus pontos. Discursou na frente de uma imagem de um homem com ejaculação sobre seu rosto e, depois, exibiu um pênis ereto para a plateia. As duas cenas foram expostas a crianças, disse, sem explicar como, nem onde. (Questionado depois, o procurador disse que são imagens da exposição "Queermuseu").

Depois, Schelb passou um vídeo com uma cena de sexo oral e pediu para algum dos presentes subisse ao palco e lesse um trecho de um livro organizado por Ana Maria Machado, autora conhecida por seus trabalhos para o público infantojuvenil. Disse que, sendo o texto pornográfico, tinha vergonha de lê-lo em voz alta. Uma procuradora aceitou o desafio e pegou o microfone.

"Estão me devendo xarope, meia, cinema, filé mignon e buceta, anda logo. Dei-lhe um murro na cabeça. Ela caiu na cama, uma marca vermelha na cara. Não tiro. Arranquei a camisola, a calcinha. Ela estava sem sutiã. Abri-lhe as pernas. Coloquei os meus joelhos sobre as suas coxas. Ela tinha uma pentelheira basta e negra. Ficou quieta, com olhos fechados. Entrar naquela floresta escura não foi fácil, a buceta era apertada e seca. Curvei-me, abri a vagina e cuspi lá dentro, grossas cusparadas. Mesmo assim não foi fácil, sentia o meu pau esfolando. Deu um gemido quando enfiei o cacete com toda força até o fim. Enquanto enfiava e tirava o pau eu lambia os peitos dela, a orelha, o pescoço, passava o dedo de leve no seu cu, alisava sua bunda. Meu pau começou a ficar lubrificado pelos sucos da sua vagina, agora morna e viscosa."

Durante a leitura, procuradores ficaram chocados e se queixavam. "Já dá pra parar", se ouvia. Alguns perguntaram o nome do livro. Era o "Leituras de Escritor", uma antologia de textos com nomes como Mário de Andrade, Virginia Woolf e Julio Cortázar. O nome da escola? "Poderia estar em qualquer lista recomendada pelo MEC", argumentou. Para os presentes, ficou no ar que a autora seria Machado, mas na verdade o trecho é do conto "O Cobrador", escrito por Rubem Fonseca, que retrata a mente de um psicopata. Procurada, Machado disse que a coletânea é para adultos.

Fonte: Época
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