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Política - ARTIGO

Postada em 05/01/2019 ás 12h30 - atualizada em 06/01/2019 ás 10h35

Publicada por: Jornalista Milton Atanazio

Cadê o porta-voz?
Uma espantosa embrulhada na área econômica do seu governo
Cadê o porta-voz?

POR MILTON ATANAZIO

SALSEIRO DE INFORMAÇÕES NA COMUNICAÇÃO DO GOVERNO

Jair Messias Bolsonaro promoveu, em pouco mais de 12 horas, uma espantosa embrulhada na área econômica do seu governo, com três declarações que surpreenderam integrantes do próprio governo e provocaram reações de analistas do mercado. Um verdadeiro salseiro de informações.

ELEVAÇÃO DO IOF

Na manhã desta sexta-feira (04), anunciou aos repórteres a elevação de alíquota do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) e uma redução na carga do Imposto de Renda (IR). Foi desmentido horas depois pelo secretário da Receita Federal, Marcos Cintra — nem o IOF vai subir nem o IR vai descer.

Segundo o presidente, a medida foi tomada para compensar a concessão de incentivo fiscal dado a empresas no Norte e Nordeste, por meio da Sudam e da Sudene. Ele sancionou uma lei aprovada pelo Congresso que prorroga esses benefícios até 2023. Bolsonaro vetou apenas a extensão para a Sudeco.

Bolsonaro não explicou por que não vetou a pauta-bomba, criticada por ele antes de assumir o governo. Para compensar essa renúncia fiscal autorizada por ele, disse que iria aumentar o IOF, Imposto sobre Operação Financeira, mas reduziria a alíquota do Imposto de Renda de 27,5% para 25%.

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Na véspera, sobre a reforma da Previdência, Bolsonaro revelara oficialmente, em entrevista ao SBT, que seu governo vai propor ao Congresso idade mínima para a aposentadoria de 62 anos para homens e 57 anos para mulheres. Em paralelo, integrantes da equipe econômica informam que a proposta que o ministro Paulo Guedes levará ao Planalto na próxima semana aponta coisa diferente.

EMBRAER

E, na terceira, Bolsonaro emitiu sinais de que que poderia impor restrições à compra da Embraer pela Boeing.

Sobre as ações da Embraer, num esforço para tentar contornar o estrago, o ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) convocou a imprensa e prestou esclarecimentos. Divulgou uma nota logo após a entrevista. Disse que as ações voltaram ao mesmo patamar de cinco dias atrás. Declarou que houve um "equívoco" do presidente, que a manifestação do presidente Bolsonaro foi legítima porque cabe a ele zelar pelos interesses estratégicos nacionais nas empresas onde há “golden share”.

A ferramenta é um instrumento onde o Estado pode impor ao privatizar uma estatal. Já era comum em outros países e foi usado pela primeira vez no Brasil durante o processo de desestatização em 1990. Empresas como CSN, Vale e Embraer foram privatizadas com o mecanismo.

Na Embraer, dá ao Estado, além dos direitos citados, o poder de veto de decisões relativas à “capacitação de terceiros em tecnologia para programas militares” e à “interrupção de fornecimento de peças de manutenção e reposição de aeronaves militares”.

A observação que fica é que quando um governo precisa desmentir o presidente da República, a coisa vai mal. Quando isso ocorre horas depois da primeira reunião de um presidente recém-empossado com seus ministros, é sinal de que é preciso reavaliar a comunicação urgentemente.

Muitos da equipe de primeiro escalão estão oferecendo-se à mídia. Quando a voz é a do próprio presidente, fica difícil voltar atrás. Se houver boa vontade da imprensa, ela acentuará essas informações desencontradas como coisa de início de governo.

Numa comparação com o futebol muito em voga em governos passados, a equipe está buscando entrosamento, em aquecimento, mas chutando para a frente. Mas o que está carecendo mesmo é a falta da figura do porta-voz. Aquela personalidade que fala pela autoridade e pode por ela ser desmentido.

O novo governo vive em dois mundos. No oficial, o presidente e seus auxiliares, por afinados, não discutem. No paralelo, eles nem se falam. Quando conversam, o comandante Bolsonaro e sua tropa parecem se desentender falando o mesmo português.

Está faltando o porta-voz. Que venha logo!

Fonte: Milton Atanazio

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