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Postada em 13/01/2019 ás 20h34 - atualizada em 14/01/2019 ás 06h25

Publicada por: Professor Sucupira

O "Oriente Médio" do século XXI
Uma realidade Futura
O

Conversando uma vez com um comandante da marinha, ele me disse: “Uma guerra não começa de imediato, uma guerra é preparada ao longo de um tempo mínimo de 11 anos”. Sinceridade ... esta conversa não saiu de minha memória. Hoje me lembrei desta afirmação. Há algum tempo tenho afirmado que o Norte da América do Sul e mais uma parte da América Central será o “Oriente Médio" do século XXI. Fui criticado em função disto.

Quem conhece um pouco de geopolítica internacional sabe quando temos um conjunto de ações que levarão a formação de um núcleo polarizador de tensão, neste núcleo em formação, serão observados acordos, movimentações diplomáticas e manobras militares conjuntas como está a acontecer na Venezuela. Vou aqui neste texto discorrer sobre o interesse das potências mundiais (EUA, Rússia e China) pela Venezuela neste momento de crise política e econômica, que levou a Venezuela para uma situação de vulnerabilidade perigosa.

No Cenário regional com forte influência dos Estados Unidos, o grupo de Lima, criado em 2017, formado pelo Brasil, Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru e Santa Lúcia não reconheceu Nícolas Maduro como Presidente — não vou entrar no mérito da questão interna, mas sim nos interesses externos — a tensão entre Venezuela com a Colômbia e com a Guiana, a inércia brasileira que  desde o início da década de 2000, vem cometendo erros de ação diplomática: No governo de esquerda com chanceleres Celso Amorim e Antônio Patriota, a diplomacia evitava criticar o governo de Hugo Chaves; quando do governo Temer, com chanceler Aloysio Nunes Ferreira Filho, a diplomacia virou as costas para a Venezuela em momento que o Brasil deveria ser um ator principal na busca de um diálogo no contexto de América Latina e OEA. Agora, mais uma vez a diplomacia brasileira erra, pois, o governo de Jair Bolsonaro com o chanceler Ernesto Araújo se alia com a política externa estadunidense que tem como objetivo isolar e fragilizar ainda mais o estado venezuelano na América.

O que há por traz disto tudo?  Muito ouro — em área de litígio entre a Guiana e a Venezuela que passou ter mais importância com a descoberta, pela ExxonMobil, de petróleo nas águas territoriais da área contestada — além do gás natural e do petróleo, a principal fonte de energia do mundo contemporâneo visadas neste momento pelas grandes potências. Somos uma “civilização do petróleo. ” É a fonte da cadeia produtiva mundial. Os atores principais EUA, Rússia e China; mais o ator coadjuvante, União europeia e os figurantes do clube de Lima não estão preocupado com o aspecto humanitário, estão preocupados em atender os interesses das petroleiras e mineradoras. É lógico que a situação criada internamente será usada para legitimar toda e qualquer ação externa no ambiente interno de fragilidade. Neste momento a Venezuela é o foco de tensão na América Latina com implicações diversas e previsíveis 

Em um cenário global, a declaração de  Vladimir Putin de se buscar uma solução pacífica na Venezuela, os acordos econômicos e  ações militares com a Rússia — exercícios militares em 2013 e 2018 no governo de Hugo Chávez e de Nícolas Maduro — são movimentações da Rússia de aproximação com a Venezuela, onde a Venezuela buscar mostrar que conta com um aliado político de peso internacional e, ao mesmo tempo a Rússia de Vladimir Putin usa a Venezuela para melhorar sua posição geopolítica na América Latina em sua disputa com os EUA. A China, do presidente Xim jimping — que tem com os Estados Unidos uma grande disputa internacional — possui grandes investimentos na Venezuela — com a Turquia, a Venezuela possui  comercio relacionado ao ouro, ou seja, a questão da Venezuela está ganhando uma complexidade cada vez maior. Vai muito além do aspecto político interno, vai além da questão humanitária — que é gravíssima — vai além de suas fronteiras nacionais .... Está ganhando contornos de disputa internacional em função dos interesses oligopolistas das empresas petrolíferas e mineradoras. Acorda Brasil!

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