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Cultura - História

Postada em 05/02/2019 ás 09h10

Publicada por: Geleia Total

A paixão de Possidônio Queiroz pela cultura
Foi sócio fundador da revista “O cometa” e do Instituto Histórico de Oeiras.
A paixão de Possidônio Queiroz pela cultura

Foto: Divulgação/Geleia Total

Possidônio Nunes Queiroz nasceu em 17 de maio de 1904, na cidade de Oeiras, onde viveu por noventa e três anos. Filho do agricultor Raimundo Nunes de Queiroz e de Francisca Soares Queiroz. O músico, professor e advogado dedicou a sua vida às artes, é autor de notas e partituras de 11 valsas, dois hinos e uma letra de música. A paixão pela cidade natal fez de Possidônio um dos maiores conhecedores da história e cultura da região. Foi sócio fundador da revista “O cometa” e do Instituto Histórico de Oeiras. Foi professor e se dedicou muito aos estudos. Trabalhou como pedreiro. Como músico, formou a orquestra “Renascença”, que se apresentou na inauguração do Cine Teatro de Oeiras, em 1940. A história desse grande músico se entrelaça com a história de Oeiras. Além da contribuição para a preservação do patrimônio histórico cultural da cidade, o músico foi um dos mediadores da Coluna Preste em Oeiras, estreitando relações com Carlos Prestes. Possidônio Queiroz faleceu em 1996, deixando um legado de valor incalculável ao Piauí, com obras comparadas aos grandes mestres de valsa da Europa.

Nome Completo: Possidônio Nunes Queiroz

Descrição: Músico, professor e advogado

Data de Nascimento: 17/ 05/ 1904

Data de Falecimento: 01/ 01/ 1996

Local de Nascimento: Oeiras

Local de Falecimento: Oeiras

Primeiras vivências

Filho do agricultor Raimundo Nunes de Queiroz, que nasceu sete anos antes da abolição da escravatura, e de Francisca Soares Queiroz, Possidônio Queiroz foi o segundo filho de cinco irmãos. Ele nasceu e cresceu na antiga Rua da Conceição, nas imediações do Lardo do Mercado, em Oeiras. Era comum os proprietários rurais que moravam em fazendas irem à cidade vender tudo que foi produzido, mas a mãe de Possidônio, contrariando esse costume, vivia na cidade. O pai de Possidônio era preocupado com a educação dos filhos, ele sabia escrever e colocou o menino nas aulas particulares com a professora Dona Quininha Campos, quando a palmatória ainda fazia parte do processo de aprendizagem. Possidônio trabalhou como ourives, arte de criar ornamentos ou joias, e teve como padrinho Benedito Antunes, outro ourives muito conhecido da cidade, que tocava violino. Trabalhou com Aristóteles Campos, que possuía um gramofone, um tipo de toca-discos, e alguns discos como o do flautista brasileiro Patápio Silva. O jovem se tornou um apreciador de música, como disserta Rodrigo Marley de Queiroz Lima.

Uma história de erudição

Possidônio Queiroz se tornou um apreciador de música e já demonstrava isso aos quinze anos de idade, quando começou a estudar teoria musical com o Mestre da Banda Triunfo e iniciou a prática com a flauta. “Não tive propriamente estudos de música. Estudei flauta. O meu primeiro mestre, eu era rapazinho, me deu, em manuscrito, uma pequena teoria, ligeira definição sobre música e o conhecimento das notas na clave de SOL. Depois, como eu queria tocar flauta, deu-me conhecer a escala do instrumento; alguns ligeiros solfejos e valsinhas, que ele cantava e eu ia tocando. Foi o início. Deixei esse mestre de banda de músicos, logo”, (Carta endereçada a Emmanuel Coelho Maciel. Oeiras, 18 dez. 1991.). Foi aluno de Jeremias Rodrigues, João Rego, estudou com Dr. Gonçalo de Castro Cavalcanti, instrumentista, magistrado e membro da Academia Piauiense de Letras. Posteriormente, Possidônio Queiroz começou a estudar música sozinho, até conseguir dominar a mecânica da flauta, os fundamentos da harmonização e da orquestração, segundo Rodrigo Marley de Queiroz Lima.

As serenatas ao luar

Possidônio Queiroz conheceu Carlos Prestes em 1926, quando a Coluna Prestes passou por Oeiras com destino à Floriano, causando uma agitação na cidade. O músico fez o discurso de boas-vindas aos visitantes, fala que seria lembrada posteriormente por Anita Leocádia, filha de Carlos Prestes. A música foi uma forma dos oficiais rememorarem as suas histórias e dialogarem com os músicos da região. Possidônio Queiroz também tinha o hábito de percorrer as ruas com as suas serenatas. Ele compôs as marchinhas: “Olha o Flautim” (1938), “Graça infantil” (1938), “Choro – Fantasia” (1939), “Amorim na Zona” e “Caçadas de Zeca”. Possidônio Queiroz absorve várias influências da miscigenação entre o erudito e o popular de autores que são sua referência, tais como Patápio Silva, além das valsas europeias de Emile Waldteufel, Shubert. Em 1939, o músico adquire uma flauta transversal de prata de lei, embora muito caro, o instrumento permitiu ao músico se desenvolver e se aprimorar como flautista.

“Não ia caçar cotias de quatro pés, mas o que é mais elevado as cotias de brinco […] Ele além de bom no acompanhamento, também, executava bonitas valsas no instrumento”.

Para além da música

Depois de passar quatro anos trabalhando como ourives, Possidônio Queiroz foi estudar em Teresina, no ano de 1924, para ajudar o pai na gestão da produção da família. Teve aulas no curso de Escrituração Mercantil, período em que participou dos círculos literários e conheceu Abdias Neves, assim como Antônio Neves de Melo, que organizava os grêmios literários de Teresina. Possidônio Queiroz é convidado pelo Des. Pedro Sá para ser Defensor Dativo e atuar em um caso (1928). Posteriormente, Possidônio Queiroz ingressa na área jurídica e é nomeado ao cargo Adjunto de Promotor Público da Comarca de Oeiras. Ainda foi Secretário no governo de José Sá e organizou um conjunto de câmara que Des. Pedro Sá chamou de Orquestra Renascença. Possidônio Queiroz escreveu discursos para políticos, orientou alunos e professores, alem de escrever a música do hino de Oeiras.

Múltiplas atuações

O pai de Possidônio Queiroz, Raimundo Nunes de Queiroz, tornou-se um produtor rural, comercializando principalmente a cera de carnaúba. O ofício do comércio é herdado pelo filho, que comercializava produtos na Casa Possidônio Queiroz. O estabelecimento ficava localizado no Mercado Público Municipal de Oeiras. Em frente à sua residência, eram vendidos diversos produtos, desde alimentos até produtos de limpeza, assim como era possível encontrar livros. O local não era um ambiente somente para a venda de produtos, mas também para conversar e tirar dúvidas, fazer consultas, requerer a escrita de uma carta, contratar procurador particular, além de fazer empréstimos. O amante das artes e da educação, com vinte e quatro anos, casou-se com Otacília Ribeiro de Queiroz, vivendo sessenta e seis anos com a companheira com quem teve cinco filhos: Maria Amélia, Carmélia Ribeiro, Raimundo Queiroz Neto, Gerardo Ribeiro e Francisco Ribeiro. Possidônio Queiroz também deu aulas na Escola Domingos Afonso Mafrense, em 1939, que era uma escola destinada aos trabalhadores mutuários sócios da União Artística Operária Oeirense e no Ginásio Municipal, de 1961 a 1962, segundo o pesquisador Rodrigo Marley de Queiroz Lima.

O cupim de livros

Possidônio Queiroz é um dos nomes não só da música piauiense, mas da historiografia do Piauí, sendo uma das grandes referências da cidade de Oeiras, tanto pela sua erudição quanto pelo esforço do artista de preservação do patrimônio cultural da cidade. Ele foi a inspiração para o nome da Escola Estadual de Música Possidônio Queiroz e do Campus da Universidade Estadual de Oeiras. O músico é autodidata, cuja construção tem um aspecto intuitivo e de grande valor musical. Possidônio recebeu o título de Beletrista, amante das artes, exercendo o ofício de músico. Possidônio era um verdadeiro devorador de livros, apelidado carinhosamente como “cupim de livros”, segundo Francisco, um dos filhos do músico. Sem dúvidas, Possidônio Queiroz deixou um legado importantíssimo para o Piauí, pois seu empenho era o conhecimento e amor pelas artes.

Fonte: Geleia Total

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