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Jornalista, comunicador, árbitro judicial, consultor diplomático, cônsul honorário da Bielorrússia, editor da Revista VOX e Publisher da BrazilianNEWS.
Política Artigo
07/03/2019 00h51 Atualizada há 3 anos
Por: Jornalista Milton Atanazio

 Artigo - Carnaval e o twitter do Presidente

 ARTIGO

Carnaval e o twitter do presidente

Carnaval e o twitter do presidente
Carnaval e o twitter do presidente

POR MILTON ATANAZIO

Na sexta-feira (01) que antecedia o carnaval, o cenário em Brasília era de gabinetes vazios no Congresso. Deputados e senadores ausentes ou em seus estados de origem. Até o trânsito na Capital do país, delatava o já anunciado recesso de carnaval, como acontece todos os anos.

 Os assuntos seriam retomados após a maior festa popular brasileira, comemorada desde os meados do século XVII, por influência dos europeus.

 O clima de Reinado de Momo já havia tomado a cidade. Em muitos Estados, como a Bahia, a folia já estava nas ruas.

Os assuntos ficariam mesmo para depois do carnaval. Como era de costume. Na volta tratariam da reforma da Previdência, ou da Nova Previdência, ou qualquer outro assunto. É a praxe.

Com o carnaval decretado de 12 dias 'de recesso' para deputados e senadores, o velho ditado popular muito difundido em conversas e corredores na Capital Federal haveria de ser cumprido “O país só começa a trabalhar após o carnaval”. De fato, será assim.

O carnaval acabou, veio a quarta-feira de cinzas, encerrando os dias de diversão.

Só que, no meio da folia, enquanto as escolas desfilavam e o povo pulava nos blocos e nas avenidas pelo país afora, o Twitter do presidente também não parou de funcionar. Para o bem ou para o mal, funcionou.

Na terça-feira (5), Bolsonaro divulgou em seu perfil oficial do Twitter um vídeo em que em que um homem aparece dançando sobre um ponto de táxi após introduzir o dedo no próprio ânus. Na sequência, surge outro rapaz que urina na cabeça do que dançava. “É isto que tem virado muitos blocos de rua no carnaval brasileiro”, diz presidente. Post passou a ter alerta de conteúdo sensível. A conta de Bolsonaro tem 3,45 milhões de seguidores.

O presidente tuitou: "Não me sinto confortável em mostrar, mas temos que expor a verdade para a população ter conhecimento e sempre tomar suas prioridades. É isto que tem virado muitos blocos de rua no carnaval brasileiro. Comentem e tirem suas conclusões (sic)", escreveu o presidente às 15h08.

O vídeo gerou uma enxurrada de comentários. Ninguém aplaudindo. Ninguém defendendo esse ato obsceno, criminoso. Mas também o Presidente errou dando uma amplitude muito maior a essa cena pornográfica e por ele ter sido o responsável por compartilhar imagens com conteúdo pornográfico, levando esse tipo de mensagem a chegar a crianças e menores.

Não pensou na repercussão internacional para a imagem do país. Ninguém está achando isso bonito ou normal, mas a questão é que é patético e totalmente inadequado um presidente postar isso, ainda mais fingindo que isso é comum no Carnaval porque não é. Está passando para o resto do mundo uma imagem negativa e detonando os nossos costumes, o nosso carnaval, que precisamos tanto e que alavanca o nosso turismo.

Entre os usuários, alguns desaprovaram o, como o deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP), aliado de Bolsonaro. “Há muitas boas razões para criticar o carnaval, não faltam problemas que poderiam ser evidenciados e evitados. Isso não justifica mostrar uma obscenidade para milhões de famílias por meio de uma rede social sob o pretexto de criticar a festa. Isso não é postura de conservador”, observa.

Após o vídeo, Planalto vê desmobilização de apoiadores de Bolsonaro. O assunto ficou maior.

Após repercussão negativa de postagens controversas feitas pelo presidente Jair Bolsonaro em suas redes sociais, o Palácio do Planalto identificou desmobilização de parte da tropa de seus apoiadores na internet.

Monitoramento feito nas contas do governo e do próprio presidente mostrou que as críticas não vêm só de oposicionistas, mas de pessoas que votaram em Bolsonaro por se identificarem com pautas conservadoras, mas especialmente por serem críticos aos governos do PT.

É forte a apreensão de auxiliares palacianos é que esse tipo de publicações leve a uma geração de crises espontâneas recorrentes e que isso prejudique sua popularidade antes mesmo de o governo chegar aos primeiros cem dias.

Na ótica deles, as polêmicas criadas a partir de publicações nas redes oficiais podem atrapalhar a votação de pautas consideradas fundamentais para o bom desempenho do governo, como a reforma da Previdência. O tema, que é oneroso ao governo, ficou de fora da grande quantidade de publicações do presidente feitas nas redes durante o feriado.

O controle do conteúdo publicado nas redes sociais não está a cargo da Secom (Secretaria de Comunicação Social), como era feito em gestões anteriores. Ao assumir o governo, o presidente passou o tema aos cuidados de assessores especiais, ligados diretamente à Presidência.

Entre os assessores especiais está Tercio Arnaud, que era do gabinete do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), um dos filhos do presidente e o responsável por criar uma estratégia de comunicação agressiva do pai com usuários das redes sociais.

Questionado sobre os motivos das publicações, a assessoria de imprensa do Planalto informou que não comentaria o caso por se tratar de uma conta pessoal do presidente.

A verdade é que o presidente é a vitrine do país. Essa conta pessoal de Jair Bolsonaro no Twitter é muito importante, representativa, tem um poder de fogo extraordinário e o estrago pode ser grande, se não for usada a bem do Brasil, uma vez que o presidente optou por governar pelo Twitter e pelo WhatsApp.

É importante, que o grupo militar que assessora o presidente no Palácio, de quem possui total confiança de Bolsonaro, consigam convencer o presidente, que essa comunicação deve ser tratada de forma diferente. No mínimo inadequada. Deve ser melhor avaliada, uma vez que o controle do conteúdo publicado nas redes sociais não está a cargo da Secom (Secretaria de Comunicação Social).

A repercussão foi negativa e imediata na imprensa internacional e alguns veículos, como o jornal britânico The Guardian diz que “Bolsonaro é ridicularizado após tuitar vídeo carnavalesco explícito”; o argentino La Nación destacou que as postagens geraram forte polêmica no Brasil e que mesmo os seguidores de Bolsonaro, apoiadores do presidente, criticaram a atitude; O espanhol El País diz que as publicações deixaram seus compatriotas envergonhados, indignados e atônitos” e por aí afora, empobrecendo a imagem do país.

Que o presidente tenha ponderação e controle.

Fonte: jornalista Milton Atanazio
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