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Jornalista, comunicador, árbitro judicial, consultor diplomático, cônsul honorário da Bielorrússia, editor da Revista VOX e Publisher da BrazilianNEWS.
Política Artigo
29/03/2019 13h01
Por: Jornalista Milton Atanazio

Termina em cachimbo da paz a alta tensão entre Bolsonaro e Maia

Artigo - Termina em cachimbo da paz a alta tensão entre Bolsonaro e Maia - Por Milton Atanazio
Artigo - Termina em cachimbo da paz a alta tensão entre Bolsonaro e Maia - Por Milton Atanazio

ARTIGO - POR MILTON ATANAZIO

Termina em cachimbo da paz a alta tensão entre Bolsonaro e Maia

No confronto entre Executivo e Legislativo, Bolsonaro se tornou refém de um Congresso rebelde

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O presidente Bolsonaro conseguiu unir o Parlamento contra seu governo. Fruto e graça de sua atuação desastrosa nas redes sociais e a sua visão primitiva do que seja a atividade política.

Ele colhe o que plantou. Mantém o clima da campanha eleitoral até agora. Comprou brigas inúteis com figuras que poderiam ajudá-lo a conquistar o Congresso, como Maia ou o ex-ministro Gustavo Bebianno.

Mantinha em pleno curso, até essa semana que está terminando, a guerra entre Executivo e Legislativo. Enfim a trégua. Bolsonaro será na prática refém de um Congresso que mostrou em duas ocasiões recentes, saber agir unido quando desafiado.

Vem experimentando surpresas não muito boas. É a segunda vez que a Câmara vota um projeto em massa contra o governo (na primeira, derrubou o decreto que ampliava o sigilo de informações públicas). Por último, aprovou em dois turnos, com votações aniquiladoras de 448 e 453 votos, uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que eleva o percentual de gastos obrigatórios do governo de 93% para 97%. Embora o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, tenha negado, foi uma retaliação evidente aos ataques a parlamentares, em especial ao próprio Maia, nas redes sociais e em declarações do próprio Bolsonaro.

O Senado planeja levar a Plenário semana que vem um projeto que revoga a isenção de vistos a americanos, australianos, japoneses e canadenses, anunciada por Bolsonaro nos Estados Unidos.

Mais preocupante ainda, uma nuvem escura vem se aproximando: uma frente de 291 deputados se prepara para desidratar a reforma da Previdência, eliminando os trechos que mudam as regras do Benefício de Prestação Continuada (BPS), da aposentadoria rural e os que retiram futuras alterações de matéria previdenciária da Constituição, relegando o tema a leis comuns.

Só ontem decidiu mudar a chefia da comunicação do governo, para lançar uma campanha em defesa da reforma da Previdência – talvez não seja tarde demais, pois os adversários têm dominado a agenda perante o público.

Será preciso muita negociação e muita articulação política, temas em que ele não cessa de dar demonstrações de sua inabilidade evidente, com a postura atual.

O principal projeto do governo (Reforma da Previdência), que garantiria ao governo Bolsonaro fôlego tanto financeiro quanto político está nas cordas.

As tentativas de salvá-lo partem de figuras no campo bolsonarista sem a menor experiência em articulações políticas de ânimo, como o ministro Onyx Lorenzoni ou a deputada Joice Hasselman.

O embate com o Congresso resulta da inabilidade do próprio governo, que levou ao Parlamento projetos concorrentes, como o de combate ao crime do ministro Sérgio Moro, propôs uma reforma vergonhosa na Previdência dos militares e se recusa a dividir poder para construir uma base parlamentar estável.

Está na hora do comandante supremo, comandar. Pegar o touro à unha. Abraçar a Reforma da Previdência, sua maior bandeira e partir para o ataque. Na linguagem do parlamento é conversar, convencer e agir com firmeza. Puxar para si e pregar para a Sociedade, da necessidade e importância de fazer essa reforma. Construir o debate correto e liderar essa batalha pela aprovação no Congresso, fundamental para o País.

Já que fala tanto em Nova política e Velha política. Mostre a Nova política. Faça na transparência e de forma republicana. Às claras. Mas tem de mostrar. Precisa de aliados, de votos para passar a reforma. Tem de mudar o clima beligerante, resistência em negociar com os partidos no Congresso Nacional e estabelecer um diálogo em torno do que é primordial. Os partidos são partes essencial da democracia e deve ser conversado em cima de ideias e não para fazer negociação individual com os parlamentares na Casa Civil. Aí é a velha política em si. Tivemos em governos anteriores a política de cooptação, a do balcão, do Toma-lá-dá-cá, que é repreendida por Bolsonaro. Tem de existir uma posição e um debate programático e ideológico em reconhecer a necessidade da reforma.

A discussão ideológica só pode se dar com os partidos. É um erro dizer que o partido não é ambiente de negociação. Se um partido estiver buscando uma negociação fora dos padrões republicanos, tem de denunciar, ir atrás, punir e prender. Como já aconteceu no Brasil, na época do mensalão. Não se pode demonizar a negociação partidária. Essa é uma negociação do mundo democrático. Os países democráticos negociam com os partidos.

Quanto maior for o tempo em que a reforma começar a ser debatida no Congresso, maiores serão as resistências.

Desde a Constituição de 1988, o Executivo mesmo que possua um imenso “poder de agenda”, não governa se não tiver apoio do parlamento. Dessa forma é inegável que Bolsonaro terá de governar com os partidos. O povo brasileiro lhe credenciou com 57,7 milhões de votos e assim o deseja.

Então Bolsonaro, mãos à obra e conduza!

Fonte: Milton Atanazio
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