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Jornalista, comunicador, árbitro judicial, consultor diplomático, cônsul honorário da Bielorrússia, editor da Revista VOX e Publisher da BrazilianNEWS.
Política Artigo
31/03/2019 12h39
Por: Jornalista Milton Atanazio

Em israel... o anúncio, se houver. - Por Milton Atanazio

Bolsonaro - arte
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Artigo

Em israel... o anúncio, se houver.

Por MIlton Atanazio

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Em comentário ao jornal Folha de S.Paulo, neste domingo, o jornalista Clovis Rossi trata sobre a mudança da embaixada do Brasil em Israel, de Tel Aviv para Jerusalém, prometida por Bolsonaro em campanha eleitoral, na disputa à presidência da República. Faz colocações no mínimo oportunas, face a viagem oficial presidencial desta semana, ao país do oriente médio.

Finda às eleições e sentado na cadeira presidencial, Jair Bolsonaro tem uma promessa a cumprir. Longe agora do ímpeto eleitoral, e exercendo a Presidência da República tem uma “abacaxi” para descascar ou um nó para desatar, uma vez que mudar a embaixada do Brasil em Israel só é bom para Netanyahu.

Ao iniciar sua visita oficial vai ser cobrado, como já adiantou o vice-chanceler Tzipi Hotovely ao Times of Israel esperando que ele anuncie a mudança da embaixada.

Com a transferência da embaixada brasileira a Jerusalém, o Brasil perde seu crédito como mediador no Oriente Médio e entre palestinos e Israel, um papel importante que jogou com eficiência nos últimos trinta anos. Além disso, torna-se não mais que um seguidor dos Estados Unidos e perde privilégios de boas relações com países do mundo árabe e islâmico. São 22 países árabes e 47 países islâmicos, cuja população soma mais de 1,6 bilhão de pessoas; das quais 420 milhões árabes. Arrisca-se também a perder seus votos nas organizações mundiais.

Esses países são os maiores consumidores e importadores de produtos brasileiros, particularmente da carne e do frango. Calcula-se que as exportações brasileiras no ano passado ultrapassaram U$ 12 bilhões, além de o Brasil ter sido o exportador principal aos países árabes na construção civil e de aviões de pequeno e médio porte, máquinas e equipamentos pesados.

Os militares que fazem parte do governo Bolsonaro e setores empresariais se opõem à mudança e já se manifestaram publicamente. Bolsonaro fica com um problema desnecessário nas mãos. Inútil porque, com a embaixada em Tel Aviv, as relações Brasil X Israel são tão boas que o único acordo comercial firmado pelo Mercosul – bloco em que o Brasil é o país de maior peso – foi exatamente com Israel (em 2010, ano que governava Luiz Inácio Lula da Silva, supostamente pró-palestino e, portanto, contra Israel).

Para a visita desta semana, o nó para Bolsonaro é assim: se não anuncia a mudança da embaixada, certamente causará muito desapontamento ao governo israelense. Se anuncia a transferência, seria uma violação da lei internacional e um ataque ao povo palestino, como disse à Agência France Presse o embaixador palestino no Brasil, Ibrahim Alzeben. A regra internacional vigente e reconhecida até agora pelo Brasil é que o status de Jerusalém terá que ser decidido em negociações entre israelenses e palestinos, no marco de um acordo para criação de dois Estados (na verdade, a criação de um Estado Palestino, já que Israel está criado e goza de boa saúde).

Deixar as coisas como estão não alteraria o relacionamento com Israel, tanto que estão acertados acordos interessantes nas áreas de Ciência e Tecnologia, Defesa, Segurança Pública, Saúde e Medicina. Serão assinados com ou sem anúncio da transferência da embaixada.

O porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, reafirmou que o governo encomendou um estudo para avaliar a oportunidade de instalar um escritório de negócios em Jerusalém. Na quinta-feira, Bolsonaro já havia mencionado essa possibilidade de criar apenas um escritório na cidade.

Segundo Rêgo Barros, "as vantagens e desvantagens" da mudança da embaixada serão analisadas. A melhor linha de atuação será definida pelo Ministério das Relações Exteriores e o núcleo duro do Planalto, informou o porta-voz.

— Pode, a partir dessa linha de ação, sequer ser colocado um escritório ou até definida a instalação da embaixada — disse Rêgo Barros.

Na prática, o anúncio, se houver, só será bom para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Pode dar-lhe os pontinhos necessários para ganhar a eleição que disputa no dia 9.

Fonte: Milton Atanazio
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