Segunda, 16 de setembro de 2019
(86) 99915-1055
Receba notícias pelo WhatsApp WhatsApp
Brasil - Tragédia

Postada em 01/06/2019 ás 08h43 - atualizada em 01/06/2019 ás 11h52

Publicada por: Bruno Paz

Geólogo assinou estabilidade de Barragem sem capacitação
O depoimento foi feito em comissão que investiga tragédia de Brumadinho.
Geólogo assinou estabilidade de Barragem sem capacitação

REUTERS/Washington Alves - Lama que devastou comunidades próximas a barragem.

Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) que investiga a tragédia de Brumadinho (MG), o geólogo da Vale, César Augusto Grandchamp, disse que não possui especialidade em barragens. Mesmo assim, ele assinou o laudo que atestou a estabilidade da estrutura que se rompeu no dia 25 de janeiro, causando mais de 200 mortes.

"Eu, como geólogo, não tenho especialidade em barragens. Eu não sou geotécnico em barragens e muito menos especialista na questão de liquefação. Então, eu confio e confiei plenamente na avaliação que foi feita por especialistas da Tüd Süd e pelas equipes da geotecnia corporativa e da geotecnia operacional da Vale", disse Grandchamp. 

O laudo de estabilidade, que deve ser emitido periodicamente, é uma exigência para que uma barragem continue operando. Ele é emitido após avaliações de uma empresa terceirizada que deve ser contratada pela mineradora. No caso da barragem de Brumadinho, esse trabalho foi feito pela consultoria alemã Tüv Süd. O laudo foi emitido em junho de 2018 trazendo duas assinaturas: a do engenheiro Makoto Namba, pela Tüv Süd, e a de Grandchamp, pela Vale.

Fator de segurança

Grandchamp é um dos 13 investigados pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) que já foram presos duas vezes, mas atualmente está solto beneficiado por um habeas corpus concedido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 14 de março. No depoimento, que foi prestado ontem (30),  ele também foi questionado porque a estabilidade foi atestada mesmo após as análises levarem ao cálculo de um fator de segurança de 1.09.

No mês passado, representantes da empresa Potamos, que chegaram a desenvolver estudos na estrutura até março de 2018, disseram à CPI da ALMG que se afastaram dos trabalhos por discordâncias metodológicas. Uma consultora da empresa, a engenheira Maria Regina Moretti, disse que não assinaria um laudo com fator de segurança 1.09 porque as boas práticas de engenharia internacional estabelecem que o ideal é 1.3.

Segundo Grandchamp, além do respaldo de equipes que ele considerava de alto nível, o documento foi assinado respeitando norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). "O fator de 1.3 foi colocado como um alvo a ser alcançado por aquelas barragens a montante cujo descomissionamento não fosse possível. Não existia uma recomendação e nem uma norma dentro da Vale indicando que o fator mínimo aceitável para estruturas fosse 1.3. Sendo assim, o que devíamos seguir era a norma da ABNT, que diz que o fator de segurança é definido pelo projetista ou pela empresa que está fazendo a auditoria", respondeu.

O geólogo, no entanto, reconheceu que a única barragem com fator de segurança de 1.09 que ele trabalhou foi a de Brumadinho, embora houvesse outras estruturas com fator de segurança abaixo de 1.3. Entre elas, citou Forquilha I, Forquilha II, Forquilha III, B3/B4 e Grupo. Todas estas estão entre as mais de 30 barragens que foram paralisadas após a tragédia de 25 de janeiro. Forquilha I, Forquilha III e  B3/B4 estão entre as quatro que alcançaram alerta máximo  e apresentam risco de iminente ruptura.

"A equipe de geotecnia corporativa é a responsável pela normatização dentro da Vale. Então, se houvesse uma normatização de que o fator a ser considerado fosse de 1.3, isso viria deles. O relatório passa por eles e é enviado por eles para a minha assinatura", disse Grandchamp.

Outro lado

A Vale afirmou em nota que a declaração de condição de estabilidade (DCE) é elaborada por uma empresa de auditoria externa sob a supervisão de uma equipe de geotécnicos da Vale capacitada para fazer esse trabalho. 

"Após receber os estudos das auditorias, os geotécnicos emitem um parecer e o encaminham para o gerente de Geotecnia Operacional, que assina a DCE por parte da Vale. Na ausência do gerente, a DCE pode ser assinada por outro representante legal da área", diz o texto. Segundo a mineradora, à época do rompimento, a barragem tinha uma laudo válido conforme determina a legislação.

A reportagem tentou, sem sucesso, contato com a Tüv Süd. No mês passado, quando questionada sobre as declarações dos representantes da Potamos, a empresa informou que "em respeito às investigações em curso, não está comentando detalhes do caso".

Fonte: Agência Brasil

R10 no Facebook:
imprimir
Veja também
TV R10

»

Jornal Portal R10

»

São João do Arraial-PI Por Leônidas Silva

Confira as ofertas da semana no armazém Paraíba de São João do Arraial

Assunção do Piauí Por Valter Lima

Conferência aprova Plano Municipal de Saneamento Básico

Blog do Lucão (Timon e Região dos Cocais) Por Lucas Stefano

Militares do 11º BPM-MA/Timon flagram jovem empurrando moto roubada

Campo Largo-PI Por Roberto Freitas

Pe. Eduardo preside Missa em ultima noite dos festejos de N. Sra das Dores

Beneditinos Por Cascatinha Pessoa

Jovem de 21 anos morre em acidente de carro na PI 221

Mais lidas da semana

»

Municípios
© Copyright 2019 - Portal R10 - Todos os direitos reservados
R10 TV Municípios Colunas Anuncie Fale conosco
Site desenvolvido pela Lenium