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Política Ex-presidente
30/09/2019 16h44
Por: Bruna Sampaio

Lula diz que não aceita condições para deixar a cadeia

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na tarde desta segunda-feira, por meio de carta lida por seu advogado, Cristiano Zanin, que não aceita "barganhas" para deixar a cadeia , onde cumpre pena por corrupção e lavagem de dinheiro.

—Não troco minha dignidade pela minha liberdade. Tudo que os procuradores da Lava-Jato realmente deveriam fazer  é pedir desculpas ao povo brasileiro, aos milhões de desempregados e à minha família, pela mal que fizeram à democracia, à Justiça e ao país — afirmou Lula, na carta lida na frente da Superintendência da Polícia Federal do Paraná.

Foto: Ricardo Stuckert
Foto: Ricardo Stuckert

O ex-presidente também afirma que "não aceita barganhar" seus direitos e sua liberdade. Na mensagem, voiltou a acusar os procuradores e o ex-juiz Sergio Moro, hoje ministro da Justiça, de cometerem "arbitrariedades".

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— Cabe agora à Suprema Corte corrigir o que está errado, para que haja justiça indepente e imparcial — acrescentou o petista, nas palavras de seu advogado.

Nesta segunda-feira, a juíza Carolina Lebbos, responsável pelo processo de execução da pena do ex-presidente, pediu que a Polícia Federal encaminhe uma certidão da conduta carcerária do petista. O procedimento é necessário para que a magistrada decida se irá conceder a progressão de Lula para o regime semiaberto, como pedido pelo Ministério Público Federal na última sexta-feira.

De acordo com o MPF, Lula cumpre os requisitos para receber o benefício:

"Uma vez certificado o bom comportamento carcerário (...) requer o Ministério Público Federal que seja deferida a Luiz Inácio Lula da Silva a progressão ao regime semiaberto", escreveram os procuradores no documento.

Lula se reuniu durante esta segunda-feira, em sua cela na Polícia Federal, com Zanin, com a presidente do PT, Gleisi Hoffmann com o presidenciável derrotado Fernando Haddad. Também participaram da conversa o tesoureiro do PT, Emídio de Souza, e o ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh. O objetivo da conversa era afinar a estraégia jurídica com a política no caso.

Por terem registro de advogados, Gleisi, Haddad e Emídio são cadastrados para visitarem o ex-presidente livremente na sede da PF.

No regime semiaberto, o preso deixa a cadeia durante o dia para trabalhar e retorna à noite para dormir.

No entanto, no Paraná, a Justiça permite uma modalidade específica que só é utilizada no estado e que é chamada de “semiaberto harmonizado". Com isso, o preso pode ficar em prisão domiciliar somente naquele estado, desde que monitorado por tornozeleira eletrônica. Esse é o caso de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, que progrediu de regime no mês passado.

Fonte: O Globo
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