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Geral Levantamento
18/12/2019 10h13
Por: Geysa Silva

18 mil brasileiros foram detidos em fronteiras dos EUA em 2020

O número de imigrantes brasileiros detidos ao tentar atravessar a fronteira dos EUA aumentou mais de dez vezes em um ano e chegou a 18 mil casos em 2019.

 

No ano fiscal de 2019 –de outubro de 2018 até setembro do ano vigente–, esses índices subiram para 18 mil pessoas e surpreenderam inclusive autoridades do governo brasileiro que trabalham com processos de imigração.

Na avaliação de integrantes do Itamaraty, a escalada exponencial pode ser explicada por ao menos três fatores: o primeiro é a política agressiva de Donald Trump contra a entrada de estrangeiros sem documento no país, atrelada à dificuldade cada vez maior de o governo americano emitir vistos para pessoas nascidas no Brasil.

O boom de brasileiros, dizem eles, pode estar relacionado à retórica do republicano de que vai construir um muro na fronteira com o México e a ações de sua administração que têm, de fato, acelerado a deportação expressa de imigrantes em situação irregular, por exemplo.

Dessa forma, cria-se a sensação de que a imigração para os EUA deve ser feita agora ou nunca, acelerando processos que poderiam estar sendo planejados a médio ou longo prazo.

Apesar do discurso de boa relação entre Trump e o presidente Jair Bolsonaro, diplomatas afirmam que a emissão de vistos –inclusive de turista– para brasileiros tem demorado mais que o habitual e que pessoas nascidas em determinadas cidades, como Governador Valadares (MG), têm tido restrições quase absolutas na hora de requerer documento para viajar aos EUA.

A região mineira tem relações históricas com os americanos –uma fábrica dos EUA foi instalada ali na época da Segunda Guerra– e se tornou um dos locais sob holofotes dos agentes de Trump.

Além disso, a crise econômica do Brasil, com previsões de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) abaixo de 1% para este ano, junto com o que pode ser chamado de profissionalização dos serviços de coiotes no país são apontadas como os outros dois fatores para o grande fluxo de brasileiros que querem chegar aos EUA.

O governo americano já divulgou os números preliminares de 2020, relativos a outubro e novembro de 2019, e a tendência de alta se manteve entre os brasileiros, com 3.200 casos registrados. Destes, 90% são famílias, 9% são adultos sozinhos e 1% de menores desacompanhados.

Funcionários do Itamaraty afirmam que os casos de aluguel de crianças brasileiras para tentar atravessar a fronteira também têm aumentado.

Nessas situações, adultos cruzam os países com menores de idade e se entregam às autoridades migratórias, evitando deportação imediata, já que as crianças não podem permanecer sozinhas durante os trâmites de repatriação.

Em outubro, o jornal Folha de S.Paulo revelou o caso de Miguel (nome fictício) que, aos quatro anos, fora detido com um homem e uma mulher que não eram seus pais biológicos. Ele passou mais de três meses em um abrigo em Chicago.

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