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Economia - Orçamento

Postada em 26/03/2020 ás 07h49 - atualizada em 26/03/2020 ás 08h19

Publicada por: Francine Dutra

Coronavírus pode custar R$ 410 bilhões extras ao SUS, diz saúde
Documento encaminhado por Mandetta ao ministério da economia, mostra projeção de gastos.
Coronavírus pode custar R$ 410 bilhões extras ao SUS, diz saúde

Foto: Reprodução

O novo coronavírus pode exigir R$ 410 bilhões a mais dos cofres públicos para que o Sistema Único de Saúde (SUS) consiga atender a população infectada. A projeção está registrada em documento obtido pelo Estado, enviado na terça-feira pelo ministro da aúde Luiz Henrique Mandetta, a Paulo Guedes, da Economia. Apesar do discurso do presidente Jair Bolsonaro, que tenta minimizar a gravidade da doença, o documento expõe a preocupação do ministério com o aumento das despesas para tratar um número cada vez maior de pessoas infectadas.

Para chegar à cifra de R$ 410 bilhões, a equipe da saúde projeta, por exemplo, o custo de R$ 9,31 bolhões para internações, caso 10% da população seja contaminada. O valor é "conservador", segundo o mesmo documento, sendo necessário, assim, um aporte maior de recursos emergenciais". O orçamento do Ministério da Saúde previsto para toda as ações da pasta neste ano é de cerca de R$ 125,5 bilhões. O documento enviado a Guedes afirma que, "como na maioria dos países", os números de infectados no Brasil têm crescido de forma exponenciaal. "E há indícios de que estejam subestimados."

A saúde ainda alerta que a prevenção de uma epidemia se torna mais desafiadora e cara quando há falhas na prevenção de surtos. "A mitigação da epidemia continua sendo a única opção política. Atrasos na detecção e controle são, em última análise, muito caros, porque os custo de contágio e mitigação crescem exponencialmente."

Depois de Mandetta afirmar que o SUS poderia entrar em "colapso" em abril pela covid-19, o presidente Jair Bolsonaro tem reforçado discursos em que minimiza os riscos. Mesmo integrando grupo de risco, por ter mais de 60 anos, Bolsonaro já afirmou que não teria problema com a doença pelo seu "histórico de atleta" e disse que "depois da facada, não vai ser uma gripezinha" que o derrubaria.

Apesar de usar termos mais leves, Mandetta tem modulado seu discurso ao do chefe. "Antes de adotaro 'fecha tudo', existe a possibilidade de fazer redução de mobilidade urbana, existe uma série de medidas que vai se tornando até que se tenha um patamar", disse o ministro nesta quarta-feira. Mais cedo, em reunião de Bolsonaro com governadores, Mandetta já havia pedido "tranquilidade" e "calma" durante a crise.

Fonte: Estadão

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