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09/04/2020 11h24
Por: Francine Dutra

Após 'sumir', Tiago Iorc retoma carreira: 'Estava muito cansado'

No auge do sucesso, o cantor e compositor deu uma pausa em sua carreira e desapareceu por um ano.

Foto: Reprodução/Instagram
Foto: Reprodução/Instagram

"Eu sou andarilho." Os pés descalços acariciando a grama durante a conversa em uma terça-feira ensolarada entregam, de maneira simples e expressiva, essa essência de Tiago Iorc mesmo antes de ele dizer. Durante um ano e quatro meses, o artista resolveu ousar lançar-se ao mundo para se reencontrar. De 7 de janeiro de 2018 a 5 de maio de 2019, se afastou das redes sociais com um "até logo" carinhoso aos seus 2,7 milhões de seguidores. Na internet todos queriam saber: onde estava Tiago Iorc? "Nem eu sei", revela rindo. Muitos descreveram seu "ano sabático" como "sumiço". Mas o que poucos sabem é que, na verdade, o cantor estava apenas tentando recuperar a paixão pelo simples da vida. "Senti que não era para eu ser músico naquele momento e viver essa vida de exposição. Não estava mais vendo o amor que tinha em compor. Foi uma decisão difícil e me questionei algumas vezes."

Após 12 anos nos palcos, Tiago parou e refletiu sobre os rumos de sua trajetória pessoal e profissional. Ele, que iniciou a carreira em 2008 cantando apenas em inglês, já foi conhecido como "o queridinho das trilhas sonoras de novelas" emplacando em Duas Caras, Viver A Vida, A Favorita, A Vida da Gente e Malhação hits autorais como "Blame", "Gave Me a Name", "Nothing But a Song" e "Story of Man". Quem ouve sua voz suave cantando as letras sentimentais sob as melodias doces, nem imagina que ele já foi guitarrista de uma banda de rock e seu maior ídolo era Slash, integrante do Guns N' Roses. "Eu me considerava um instrumentista, mas percebi que poderia cantar quando escutei um disco da Norah Jones lá em 2004. Foi inspirador ver a magnitude dela sem precisar ter uma projeção vocal gigantesca. Então, assim como ela, encontrei a minha voz na sutileza", conta.

Em 2011, Tiago Iorc ainda compunha em inglês e lançou o seu segundo disco, Umbilical. "Quando alguém falava que eu devia cantar em português, soava como uma agressão", se diverte. Após dois anos, resolveu dar uma chance para a língua portuguesa com o álbum híbrido Zeski. Mas o divisor de águas para o cantor mergulhar de vez na brasilidade teve data (5 de abril), local (Encontro Mundial de Meditação pela Paz, em Curitiba) e mensageiro. "Fiz um pocket show em um evento de meditação e, na passagem de som, cantei 'Um Dia Após O Outro'. Quando acabei, um senhor veio até mim e disse que tinha gostado da letra. Isso me modificou para sempre. Percebi que tinha mais essa possibilidade de tocar as pessoas", relembrou. "Existe o Tiago daquela época, que cantava em inglês, e o de agora. E eles são artistas distintos."

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E assim chegou o Troco Likes, com 11 faixas em português e o hit "Amei Te Ver", que rendeu mais de 120 milhões de visualizações no YouTube e contou com participação de Bruna Marquezine no videoclipe. Após 300 apresentações na turnê do disco entre 2015 e 2017, Tiago sentiu o peso do que é ser um grande artista nacional. "Vivia de shows e entrevistas. Vejo fotos do meu momento pré-pausa e, visivelmente, estava muito cansado. No início, encaixotei tudo, inclusive o violão. Me aposentei por um tempo para me sentir estimulado novamente. Quando se estimula muito algo, tende a insensibilizar aquele ponto. Vai ficar desgostoso, desinteressante. O prazer de fazer algo com carinho é o que mais me inspira", reconhece.

Seu retorno chegou com Reconstrução. "Mas é claro que seria com melodias!", você pode pensar. Nada é tão claro assim. "Hoje a sensação é a de que não sei mais fazer música. Sei que tenho essa habilidade e que vou conseguir se me dedicar. Acho que meus medos estão muito relacionados em conseguir ser o que eu espero ser", revela. Modéstia à parte, todas as 13 faixas do disco entraram no top 50 das mais ouvidas na plataforma de streaming Spotify no dia de lançamento, 5 de maio de 2019, e "Desconstrução" levou o Grammy Latino na categoria Melhor Canção em Língua Portuguesa no mesmo ano.

Após um processo de autoaceitação e autoconhecimento, Tiago Iorc acordou de um sono longo e tranquilo no qual viajou, conheceu, trocou, experimentou, construiu e desconstruiu. "Reencontrei prazeres que tinha desencontrado na vida, inclusive a música. Fiquei em casa, vi séries, cozinhei, fui no mercado, saí para conversar com amigos e joguei futebol", contou. Em ordem cronológica, o artista passou seis meses nos Estados Unidos, "sem fazer nada que fosse relacionado com o que vinha fazendo, mas nesse meio tempo eu trabalhei porque produzi o disco da Anavitória", encarou uma roadtrip – de mais de 3 mil quilômetros – de Porto Alegre até a Bahia, parando para visitar alguns amigos, e lá fincou sua tenda por mais um semestre. "Comecei a jornada solitária para encontrar um cantinho em que eu me sentisse confortável e, aos poucos, fui achando o caminho de volta ao amor que tenho pela música e a relação íntima com o instrumento", revelou. Hoje, se você perguntar se Tiago está morando no Brasil: "Tenho um cantinho aqui onde lavo as minhas roupas."

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Regatas, calça skinny preta e botas? Engana-se. O uniforme evoluiu assim como ele. Apesar de não ser apegado a bens materiais, o cantor começou a criar um espaço para a alta costura em seu guarda-roupa. "A moda não fazia parte do meu radar, mas fui convidado pela Gucci para assistir ao desfile de moda da marca em Milão. O olhar do Alessandro [Michele, diretor criativo da label] me cativou. Ele fala sobre coisas que precisam ser discutidas, como se expressar como bem entender. Toda vez que busquei algo para vestir, encontrava uma certa limitação, tanto que fazia minhas próprias regatas. E no olhar do Alessandro encontrei o que me agrada", revela Tiago que, agora, integra o time de embaixadores da marca italiana. "Acho que algo que mudou muito é que agora eu gosto dos pés em contato com o chão e tecidos mais leves", conta.

A leveza que ele tanto procura está em sua voz, em seu dedilhar no violão, nos looks, na maneira em que fixa o olho no olho durante uma longa conversa e em sua essência. Leveza essa que transita em seu interior feminino. No momento em que tanto se discute a masculinidade, tudo está claro na mente do cantor. "Para mim, a masculinidade é uma presença energética que determina algumas características, que é mais funcional, pragmática, de linhas retas. E, da mesma forma, a feminilidade, que é mais sutil, artística, poética, a beleza do mundo. Eu me sinto masculino em algumas coisas e feminino em outras, como a minha manifestação artística que é muito sutil. A gente é o equilíbrio dessas forças o tempo inteiro e isso diz pouco respeito à sexualidade", explica.

Reconstruir para desconstruir. Desapegar, imaginar, criar, surpreender. Seja como for, Tiago se (re)descobriu e nos ensinou em forma de música (e nós agradecemos). "Vivi um despertar. É engraçado porque parece mais do que um ano e pouco. A gente está com essa relação com o tempo meio afobada", conclui.

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Fonte: GQ
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