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Saúde Veja
11/04/2020 09h34
Por: Bruna Sampaio

Estudo aponta três tipos do novo coronavírus

Como o coronavírus se espalhou pelo mundo a partir de Wuhan, cidade chinesa que registrou os primeiros casos da doença, em dezembro de 2019? Há três grandes percursos traçados pelo vírus até que infectasse 1,5 milhão de pessoas, afirma um novo estudo da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e da Universidade de Kiel, na Alemanha.

Os casos que surgiram no Brasil são muito mais ligados ao vírus que circulou na Europa do que aquele que apareceu na China. “A rede algorítmica (que analisou a proximidade das variações do vírus em cidadãos de diversos países) reflete uma ligação mutante entre o genoma viral da Itália e do Brasil”, escrevem os autores da pesquisa.

REPRODUÇÃO - Image caption Site NextStrain apresenta mapeamento das variações genéticas do vírus e as conexões entre os casos ao redor do mundo
REPRODUÇÃO - Image caption Site NextStrain apresenta mapeamento das variações genéticas do vírus e as conexões entre os casos ao redor do mundo

Para chegar a essa e a outras conclusões, eles analisaram as mutações do vírus nos primeiros 160 sequenciamentos genéticos desses invasores encontrados em pacientes humanos. É importante deixar claro que as mutações são comuns e raramente significam que o vírus ficará mais letal, contagioso ou com sintomas mais graves, por exemplo.

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Esses dados também pode apontar o ritmo e o tamanho da variação genética do vírus. Em geral, se isso se der de forma lenta e suave (como tem acontecido até agora), uma eventual vacina teria uma eficácia bastante ampla.

Há mais de 1.000 sequenciamentos genéticos do novo coronavírus já realizados, basicamente divididos em três grandes grupos, segundo os pesquisadores: A, B e C, sendo B derivado de A, e C derivado de B.

O grupo de cientistas usou um mapeamento de linhagens de códigos genéticos parecido com o modelo usado para identificar quais foram os movimentos migratórios das populações humanas pré-históricas.

Mas por que isso é importante? No caso da pandemia, a estratégia busca traçar as rotas de infecção conectando os pontos entre os casos conhecidos. Ao entender como o vírus se espalha, é possível pensar em que medidas podem ser adotadas para conter a transmissão da doença de uma região do país para outra, por exemplo.

O tipo A é considerado o “original”, que está mais próximo do vírus encontrado em morcegos e pangolins, dois animais que têm sido associados ao início da pandemia. Não se sabe até agora, porém, como o vírus chegou até o primeiro paciente humano.

O tipo B tem maior incidência no Leste da Ásia, mas não se espalhou muito a partir dali, afirmam os pesquisadores. Isso pode ter acontecido, segundo eles, porque o vírus pode ter encontrado resistência imunológica ou ambiental para se espalhar entre pessoas de outras localidades do mundo.

O tipo C é considerado o majoritário na Europa, e foi encontrado nos primeiros pacientes de países como França, Itália e Suécia. Essa categoria de sequenciamentos genéticos também inclui o Brasil.

DIVULGAÇÃO/UNIVERSIDADE DE CAMBRIDGE
Fonte: BBC
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