Domingo, 26 de Setembro de 2021
86 9 98219621

Redação

Whatsapp / Sugestôes

(86) 99821-9621

Cristina

Publicidade

(86) 99800-8359

34°

22° 38°

Teresina - PI

Últimas notícias
Balanço das Letras
Balanço das Letras
Jornalista, radialista e redator publicitário apaixonado pelas letras. Comunicador há 35 anos.
Geral Pandemia
15/04/2020 12h16 Atualizada há 1 ano
Por: Willian Tito

SOMOS TODOS COBAIA?

A postura do presidente Jair Bolsonaro em negar a gravidade da pandemia destoa de todos os grandes líderes mundiais. Grande parte deles resistiram a tomar medidas mais duras para manter a população em isolamento social. Tergiversaram até que a realidade bateu forte com um grande número de infectados, colapso dos sistemas de saúde e mortes numerosas.

Obviamente, todos retrocederam e passaram a atender aos protocolos da Organização Mundial de Saúde. Uns assumiram o equívoco publicamente e desculparam-se, como França e Itália. Outros, para evitar maiores desgastes e não dar subsídios à posteridade, desconversaram ou silenciaram sobre as suas responsabilidades. Entretanto, sem exceção, recuaram e passaram a trabalhar incessantemente em prol da população.

SOMOS TODOS COBAIA?

Os argumentos que apontavam prejuízos à economia com o mercado fechado ficaram pelo caminho com os números de contagiados e mortos em contagens estarrecedoras. Sem trabalhadores não há economia que se sustente. O volume de negócios perdidos, vendas, déficits na balança comercial, previsão de depressão econômica histórica perderam importância. Ficou para depois. A prioridade é a vida.

No Brasil não é assim

Em terras tupiniquins, seguimos na contramão. O presidente não somente repete o discurso negacionista como desinforma, minimiza a letalidade do novo coronavírus e despreza os idosos com falas falaciosas e desrespeitosas. Além de manter uma postura que antagoniza com o que preconiza o Ministério da Saúde, como se o governo tivesse prioridades distintas.

Para agravar um pouco mais, partindo para a prática, sabota as recomendações que os técnicos do governo pregam e repetem todas as tardes em coletivas de imprensa intermináveis, atualizando jornalistas e população com as novas estatísticas em curva ascendente.

Não basta desdizer, tem que ir às ruas, cumprimentar, fazer selfies e tudo sem os equipamentos de proteção individual. Ao promover aglomerações, frequentar comércios e saudar apoiadores, estimula a população a fazer o mesmo. O que o MS faz com trabalho denodado de dias seguidos, o presidente desfaz em minutos. Um grande desserviço ao povo brasileiro.

Depois que os líderes voltaram atrás em suas falas descompassadas, era de se esperar que Bolsonaro também retroagisse. Ao contrário, faz tudo às avessas e com mais intensidade, diariamente. Até mesmo o mercado jogou a toalha com o anúncio da criação de um grupo de grandes empresários que trabalham para minimizar a crise, inclusive doando vultuosas somas em dinheiro. O banco Itaú anunciou repasse de R$ 1 bilhão para enfrentar o vírus.

Prescrição de medicamento em fase de testes

Quem em sã consciência divulgaria fármacos para terapia de contagiados com a covid-19 em pronunciamento em rede nacional de rádio e TV, mesmo sem um estudo conclusivo? Ninguém. Menos o presidente da República Federativa do Brasil.

Sem autoridade para fazê-lo, ainda espalha a notícia como se fosse a cura consolidada. Embora os estudos preliminares apontarem em sentido contrário. A toxidade dos efeitos colaterais do uso da cloroquina e da hidroxocloroquina acabam acometendo um paciente infectado com a covid-19 de outras enfermidades. Atingindo coração, visão, fígado e outros órgãos, acelera a debilitação e agrava casos já graves.

A Suécia, a França, os EUA e outros países seguem na mesma linha de abandono do uso da droga em seus acometidos com a síndrome respiratória aguda grave. O grupo brasileiro que estava aplicado ao estudo também abandonou diante da ineficácia do medicamento. Como pode ser lido neste link.

Por que seguir na contramão?

Eis a grande questão. O comportamento tresloucado do presidente, que propaga riscos a toda a população, é apontado como um problema a mais ao Brasil no enfrentamento ao vírus. The New York Times, Washington Post, The Guardian, Corriere de la Sera, El País, Le Monde, RFI, Reuters…uma infinidade de grandes veículos de comunicação mundo afora destaca os absurdos cometidos por quem deveria fazer exatamente o contrário.

A preocupação do presidente não é com a economia. Após as grandes companhias juntarem forças num conglomerado de cabeças coroadas que atuam voluntariamente, canalizando um volume gigantesco de recursos a fundo perdido, a título de estimular a solidariedade, está claro que o discurso foi liquefeito pelos maiores interessados em parar a política de isolamento social.

O que pode restar para entender as sandices de Jair? A cartada final para tentar salvar a sua reeleição? Apostar no acaso? Indo de encontro a tudo e a todos, caso acertasse, sairia como o gênio mundial. Mas não faz sentido. A trajetória letal do novo coronavírus só nos dá uma certeza: os mais de 100 mil mortos ainda vai crescer. Inclusive no Brasil, que agora vai começar a ver e viver os momentos mais tensos.

Os hospitais estão chegando no limite da lotação no Amazonas, Ceará e São Paulo. O colapso do sistema de saúde é previsto para os próximos dias. Vamos chegar a números terríveis de óbitos, que pode colapsar o sistema funerário, também.

O Brasil é um laboratório?

A única opção que nos resta cogitar é que talvez estejamos postos como cobaias para que as drogas já existentes sejam testadas. No desespero, as famílias mais pobres não questionam o uso e provavelmente nem tenham acesso ao prontuário dos doentes. As aplicações podem acontecer com amostras grandes para verificar a resposta de reação com mais chance de acerto pela amplidão do recorte a ser observado.

Novas drogas em andamento podem ser utilizadas de todas as formas. E quem será contra quando o número catastrófico se apresentar com a cara macabra da morte espreitando? Quantos vão questionar? Quem sabe podem até agradecer por terem a oportunidade única de acesso a um tratamento experimental. Considere-se ainda que EUA, Itália e Espanha alertaram seus cidadãos em terras brasileiras a voltarem imediatamente para casa.

O caminho insensato do presidente me faz pensar nesta possibilidade que, a princípio, pode parecer absurda. Mas é de se considerar verdadeiramente quando põe-se na balança que estamos sendo conduzidos por um adorador de torturadores e ditadores e a favor da tortura. Tudo dito publicamente e com imagens que comprovam as ideias nefastas.

A falta de empatia ao ser humano não é nenhum segredo. O histórico dá margem a pensarmos que toda a crueldade que vem apresentando, com episódios seguidos de desrespeito a orientações de especialistas consagrados, com o desprezo aos apelos de sua própria equipe, ignorando-os, deve ser levada em conta, minimamente.

Mesmo que possa parecer teoria conspiratória, não pode-se descartar a contingência de estarmos num grande laboratório e que muitos de nós, especialmente os ignorantes e incautos, podem servir de cobaias numa experiência com aura nazista, demoníaca.

A promoção do negacionismo da virulência e mortalidade do vírus, a conduta sabotadora suicida e os ataques a quem tenta preservar a vida nos permite considerar até o que pode parecer delírio. Parece um filme. Afinal, o que mais pode fazer sentido neste cenário de distopia pandemônica em que estamos inseridos?

Veja também
Desenvolvido por: Lenium®
Nosso grupo do WhatsAppWhatsApp