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Willian Tito Jornalista, radialista e redator publicitário apaixonado pelas letras. Comunicador há 35 anos.

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Geral - Política

Postada em 20/04/2020 ás 13h20 - atualizada em 20/04/2020 ás 22h12

Publicada por: Willian Tito

NÃO VAI TER GOLPE
A única intervenção possível é civil
NÃO VAI TER GOLPE

Na manhã de ontem, domingo, 19, o presidente Bolsonaro mais uma vez apoiou manifestações contra a democracia. Em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília, subiu na carroceria de uma picape e discursou para seguidores que pediam o fechamento do parlamento, do Supremo Tribunal Federal e a volta da ditadura com a reedição do AI-5.

Faixas, cartazes e palavras de ordem replicavam os pedidos dos nostálgicos que desejam que os poderes sejam fechados, mandatos de parlamentares cassados, imprensa calada e a volta de militares para exercer o poder autocrático.

No ato, os antidemocratas não receberam nenhuma reprimenda do presidente, que jurou em sua posse zelar pela Constituição Federal. Ao contrário, em trecho de seu rápido discurso, afirmou que estava com eles. Se eles querem um golpe, o presidente assumiu que também quer?

 

Mudança da água para o vinho

Na manhã de hoje, segunda-feira, 20, na saída da residência oficial, o Palácio da Alvorada, em sua tradicional parada na portaria onde jornalistas e apoiadores o aguardam diariamente, a conversa mudou completamente.

Quando um dos adeptos de seu governo insinuou manifestar-se criticamente ao STF, foi prontamente rechaçado e exortado. Humilhado, o simpatizante silenciou enquanto o presidente passou a discursar em favor dos poderes, da Constituição, da democracia e da liberdade. Falando em alto e bom som repetiu: “Aqui não tem fechar nada.”

Em frente ao QG do exército, ontem, nenhuma menção contrária. Omitiu-se ou apoiou as ideias dos manifestantes? Em menos de 24 horas, o giro de 180 graus tem a sua razão de ser. Entre elas, o número de apoiadores que foram às ruas ontem não garantiu expressividade que merecesse destaque.

Várias instituições, além de representantes dos poderes atacados responderam prontamente por meio das redes sociais, notas de repúdio e cartas abertas. Dos 27 governadores, 20 assinaram documento em solidariedade aos presidentes Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, que conduzem a Câmara Federal e o Senado, respectivamente.

Por outro lado, ex-governistas, generais da reserva, adiantaram a visão das Forças Armadas em relação aos atos. Entre palavras e expressões citadas a veículos de comunicação, revelaram que o presidente agiu com imprudência e que os militares estão imunizados. De forma elegante, descartaram que não vão embarcar em apoiar suas supostas intenções autogolpistas.

 

Não vai ter golpe

O tiro saiu pela culatra e os manifestantes de ontem acordaram com uma brutal ressaca. Todo o empenho, energia e gastos para defender a ditadura foram desautorizados pelo próprio presidente no começo da manhã de hoje. Ao rebater o partizan, mandou o recado para todos: esqueçam isso.

Ganhar o eco das ruas em tempos de pandemia é bem mais desafiador do que combater o novo coronavírus. A bateção de panelas nas janelas é bem mais simples. Em número reduzido de bolsonaristas, até os mais fanáticos preferiram ficar em casa a engrossar fileiras em protestos. Certamente, com a dura reprimenda ao incauto eleitor, vai desabastecer apoios.

Os manifestantes de ontem, convocados pelas redes sociais e grupos de whatsapp, devem estar sem entender o que está acontecendo. Como assim? Quer dizer que não podemos mais criticar o STF e o Legislativo? Talvez até possa, mas não na frente do presidente. Também não contem com o apoio público dele nem a omissão.

 

Intervenção civil

A noite de ontem foi longa. Rumores davam conta que as principais autoridades do país reuniram-se pessoalmente e virtualmente para tratar das ofensivas do domingo. Embora rebatida pelo deputado Rodrigo Maia, é sabido que a paciência chegou ao limite e as investidas antidemocráticas não serão mais toleradas.

A soberania democrática da nação foi por demais aviltada e merece uma resposta. Os poderes recebem cobranças de todos os lados. Nas redes sociais dos presidentes das principais casas parlamentares do país, eleitores exigem que haja uma manifestação pública, reprimenda e até mesmo impeachment.

Nesta manhã, no STF, foi protocolado e impetrado Mandado de Segurança cujo objeto solicita o afastamento de presidente de parte de suas atribuições, encaminhando ao vice-presidente, Hamílton Mourão, a parcial condução executiva do país.

Jair Bolsonaro vê sua base de apoio político recuar a cada dia. O cerco fecha sobre si. Não é obra da oposição, de manifestações populares, de ninguém. Encastelando-se, o isolado presidente colhe os frutos amargos de suas empreitadas mal calculadas.

A intervenção militar não vem. Não da forma como pretende. Talvez até possa ser considerada, mas não em seu favor. Diante de cenários tenebrosos, Bolsonaro encontra-se de frente à armadilha que ele mesmo armou. Mais uma passo em falso e a intervenção vem, mas é civil.  

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