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Willian Tito Jornalista, radialista e redator publicitário apaixonado pelas letras. Comunicador há 35 anos.

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Geral - Pandemia

Postada em 21/04/2020 ás 17h30 - atualizada em 21/04/2020 ás 18h07

Publicada por: Willian Tito

“EU NÃO SOU COVEIRO”
Falta de empatia com o povo enterra o governo
“EU NÃO SOU COVEIRO”

Curto e grosso, como tem se notabilizado na relação com a maior parte da imprensa, o presidente Jair Bolsonaro respondeu a um repórter que iniciava indagação sobre o número de mortes oficiais em decorrência da covid-19 anunciadas ontem, segunda-feira, 20, pelo Ministério da Saúde. Antes do jornalista concluir a pergunta, mandou uma frase fulminante que encerrou qualquer tentativa de aprofundar a questão: “Eu não sou coveiro!”

Os números frios, que mostram a estatística verticalizar a curva de mais de 40 mil contagiados e quase 3 mil mortes, encontra no mandatário uma frieza ainda pior. Indiferente ao que pode significar a sentença áspera aos parentes das pessoas vitimadas com a doença, potencializa a sensação de que não veremos um gesto de solidariedade, de empatia com o seu semelhante, de compaixão com a dor dos brasileiros.

Em várias ocasiões, o presidente tem se expressado sem a mínima polidez quando trata de assunto tão delicado. A morte dos pacientes contagiados pelo novo coronavírus não encontra no chefe do Executivo nacional o que vemos mundo afora. Líderes visivelmente abatidos por perderem seus compatriotas, manifestam o pesar e levam palavras de conforto aos familiares. É o que se aguarda de qualquer gestor que lida com realidade tão chocante.

 

O colapso do sistema de saúde chegou  

Manaus, capital do Amazonas, é a primeira cidade a registrar a saturação do sistema de saúde. Todos os leitos de todas as unidades de saúde estão ocupados. A UTIs são disputadas pelos pacientes com maior gravidade.

A síndrome respiratória aguda grave, que é desencadeada pelos contagiados pelo vírus, exige um tempo médio de ocupação por quem consegue se recuperar em torno de 15 dias. Alguns casos gravíssimos, levam até 3 semanas internados.

Equipamentos insuficientes versus a quantidade crescente de pacientes e o tempo médio de recuperação longa apontam para uma resultante caótica. O colapso é inevitável. Os números não podem fechar. Semelhante ao que vimos nas cidades da região norte da Itália há cerca de um mês, vemos repetir no Brasil.

Os médicos veem-se obrigados a escolher quem vai para a ventilação mecânica e quem vai se virar sozinho com a insuficiência respiratória causada pela pneumonia. Ou simplesmente, quem terá uma chance de sobreviver e quem dificilmente vai escapar da morte.

 

O colapso no sistema funerário

Com média superior a 100 mortes por dia desde o fim de semana passado, a capital amazonense vê todo o aparato para enterrar seus mortos desmoronar. As funerárias não dão conta de promover a quantidade de sepultamentos ascendentes.

Além do aumento do número de trabalhadores especializados para realizar enterros, foi necessário colocar câmaras frigoríficas em cemitério a fim de liberar os veículos das funerárias, que eram obrigados a ficar aguardando os sepultamentos. Assim, podem retornar para pegar mais corpos.

Em imensas valas comuns, abertas por retroescavadeira, os mortos são enfileirados de dez em dez e finalmente cobertos de terra para o descanso. Não é possível fazer mais enterros sem o auxílio de máquinas. Não há tempo disponível nem mão de obra que suporte tamanha demanda.

Os fatos ocorrem no cemitério de Tarumã, onde os manauaras abatidos pela covid-19 são levados para o procedimento rápido, sem cerimônia religiosa, com poucos parentes para evitar aglomeração e com caixões indo ao túmulo completamente lacrados. A realidade dura tende a se repetir pelo país. Infelizmente, o lado mais macabro da pandemia está apenas começando.

 

A crise enterra o governo

Insistindo em seu discurso de salvar a economia, o presidente não demonstra se importar com os fatos terríveis que vêm pela frente. As imagens são divulgadas pelos canais de TV, que têm a obrigação de cobrir o cotidiano, independente do chefe do país mostrar-se agastado com a realidade.

Mesmo com a maioria dos governadores tomando as medidas orientadas pelas autoridades internacionais, mesmo com os exemplos de outros países que viveram e vivem a escalada singular, o desprezo pela vida humana é evidente por parte de Bolsonaro.

Por trás de números em planilhas, tem pais e mães de famílias, filhos e filhas, avôs e avós, profissionais de saúde e de segurança que estão na linha de frente enfrentando um inimigo impiedoso, morrendo aos milhares e clamando à população que permaneça em quarentena.

A economia está afetada e só vai conseguir reerguer-se depois de algum tempo, com o apoio governamental, que deve acolher com mão amiga e repasses generosos de auxílio financeiro emergencial a trabalhadores e empresas enquanto perdurar a pandemia. Adiantar a saída antes do pico da doença não é minimamente razoável. É um comportamento genocida.

Por outro lado, o capital político dos gestores que agem com humanidade, cresce. Já os que permanecem com o coração duro, estão a dilapidar seus dividendos mais valiosos na falta de interação com a população.

O vírus não tem olhos nem ouvidos. É indiferente a homens, mulheres, jovens e crianças. Todos podem ser vitimados se expostos ao contágio sem equipamento de segurança para minimizar a infecção. Entretanto, os cidadãos que veem e ouvem o presidente da República com a sua típica descortesia, dão adeus à esperança de receber um pouco de afeto de um governo solidário em momento de crise. Jair Bolsonaro não é coveiro, mas enterra a sua popularidade em vala profunda.

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