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Willian Tito Jornalista, radialista e redator publicitário apaixonado pelas letras. Comunicador há 35 anos.

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Geral - Política

Postada em 22/04/2020 ás 14h41

Publicada por: Willian Tito

A NOVA VELHA POLÍTICA
Uma saída à moda antiga ao conflito renovado
A NOVA VELHA POLÍTICA

O presidente nega, articuladores do governo nem confirmam nem descartam, mas as negociações acontecem no Palácio do Planalto. Lideranças e chefes de partidos que compõem o Centrão têm feito romaria a salas do 4º andar do centro do poder Executivo, onde está instalada a Presidência da República.

O tempo e as portas da Câmara Federal e do Senado estão fechadas após ataques virulentos aos dois presidentes das casas parlamentares pelos seguidores do presidente, nas redes sociais. Subindo hashtags ofensivas, lacraram-se as possibilidades da negociação, por enquanto.

O Planalto não pode governar por meio de decretos. Com pelo menos meia dúzia de Medidas Provisórias em tempo de caducar, as premissas governamentais, que esteiam a política econômico-administrativa, vão engessar caso não surja alguém para salvar a pátria, literalmente.

 

Negociação no DNA

O presidente Jair Bolsonaro elegeu-se propagando a bandeira com a pauta antissistema e de combate à corrupção. Negando a agenda do toma lá dá cá, propôs práticas revisionistas e afastamento de partidos que cresceram e mantém-se no poder com a política de ocupação de cargos nas mais diversas esferas da administração pública, para garantir apoio nas votações de interesse do governo.

Na composição do seu staff, viu-se obrigado a ceder ministérios ao Democratas de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, presidentes das casas legislativas. Presidido pelo prefeito de Salvador (BA), ACM Neto, o DEM traz em seu DNA a capacidade ímpar inerente ao tribuno raiz. Fazer acordos, fechar alianças e construir consenso por meio da conformidade são as virtudes que redundam em seu alto poder de negociação.

Dominando a matéria-prima que irriga a corrente sanguínea do Congresso, os democratas conhecem cada um dos parlamentares e capilarizam seus anseios numa hemodinâmica oxigenada pelo rateio do poder.

Descentralizando o mando, distribuindo deveres e obrigações, permeando os cargos a seres ocupados com a proporcionalidade justa, construíram a harmonia que os põe em céu de brigadeiro no côncavo e no convexo que complementam as conchas do poder Legislativo.

 

Dividir para enfraquecer

Para fazer ruir o equilíbrio ora estabelecido, Bolsonaro convidou líderes do PL e Progressistas para oferecer cargos em troca de apoio parlamentar, conforme revelam matérias que circulam nos grandes veículos da imprensa nacional.

Formada por 80 deputados e 8 senadores, a bancada de liberais e progressistas não é unânime no apoio desejado pelo presidente. Se for muito bem-sucedido, talvez leve a metade. Não tem ministério no cardápio. A oferta em contrapartida é modesta diante do notório e voraz apetite. Mas tem o Banco do Nordeste e o FNDE – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, que têm bilhões previstos no orçamento.

Não é da prática de Bolsonaro entregar pastas importantes de porteira fechada, com a liberdade para o titular ocupar os cargos existentes conforme desejar. Tudo é revisado e passa por um crivo da vida pregressa política dos aspirantes, que encontra obstáculos de veto ao se deparar com históricos de participação nos governos do PT. Afora verificações de outras tendências esquerdistas, que causam abominação aos governistas, especialmente à ala ideológica, comandada pelo Gabinete do Ódio.

Até aquietar e planificar todas as arestas, o tempo passa e a negociação lenta vai sendo consumida pelo pragmatismo acelerado do poder. A estratégia de enfraquecer o DEM implantando o pomo da discórdia entre os parlamentares não parece uma saída sã, mas o incremento das divergências entre o Legislativo e o Executivo.

 

Oposição no colo do Centrão

A arte de negociar, com a habilidade diplomática típica do parlamento, encontrando pontos de convergência entre divergentes, nunca foi o forte de Bolsonaro nos 28 anos de sua vida como parlamentar. Sem nunca ter ocupado uma comissão, nem mesmo como suplente, perdeu a oportunidade de aprender o traquejo e o jogo de cintura que poderia ser útil neste momento de crise com o Congresso.

Ao tempo em que pode causar uma ruptura no gerenciamento de Câmara e Senado, estaria abrindo uma nova frente para os partidos de oposição aproximarem-se das lideranças do Centrão que sustentam politicamente Maia e Alcolumbre.

O campo democrático, formado pelos partidos de esquerda e centro-esquerda, marcham unidos contra o governo. No embate com o Legislativo se acirrando cada vez mais, surge a oportunidade de fechar novos acordos visando objetivos comuns no enfretamento ao inimigo do parlamento, como tem se mostrado Bolsonaro.

Mais uma vez, com sua habilidade primaz de desagregar, o presidente propicia o fortalecimento do parlamento, que é atacado diuturnamente por suas hostes contrárias ao regime democrático. O tiro no pé pode ser fatal, gangrenando o resto do corpo da administração federal.

 

Nova política com velhas práticas?

A tentativa de interferir no entendimento que fundamenta a atual concórdia entre os membros do parlamento, fazendo-se valer de práticas abominadas no discurso, mas postas em prática, evidencia as consequências do isolamento que o presidente Bolsonaro se impôs ao negar negociar com o Congresso.

O que se desenha no horizonte por um rascunho malfeito, denuncia ato de desespero. Sem um interlocutor a altura para articular com Maia, o presidente elencou o Chefe da Casa Civil, General Braga Netto, para o papel desafiador. Sem ter o perfil para a missão, será uma grande surpresa caso obtenha êxito.

O cachimbo da paz está pronto para ser aceso por Maia, que é ágil e habilidoso na trottoir politique. Por outro lado, Bolsonaro vai ter que engolir sapos e o orgulho de uma golada só para superar a crise. Sem o parlamento, não tem como governar. O presidencialismo carece da edificação de ponte robusta para o trânsito das medidas que norteiam as políticas públicas governamentais.

Com o discurso que levou às massas prestes a mergulhar no limbo, o presidente vai ter que se dobrar para manter a governança. A única saída é a conciliação e o pacto vem pelo caminho da velha política, no exercício pleno da flexibilidade Vai ter que doar para cobrar. Pois é dando que se recebe.

   

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