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27/04/2020 08h17 Atualizada há 2 anos
Por: Bruna Dias

Único continente sem covid-19, Antártida sofre impacto do vírus no turismo

No mundo, até sexta-feira (24), são mais de 2,7 milhões de casos confirmados de coronavírus. Sem precedentes na história da humanidade, a pandemia só não foi registrada em um continente: a Antártida.

O último continente a ser explorado, ainda é o lugar mais seguro do planeta. Cientificamente, ainda se sabe pouco sobre o novo vírus que parou praticamente todos os setores da economia mundial, mas o turismo naquela frágil região deve mudar na próxima temporada.

Imagem: Eduardo Vessoni
Imagem: Eduardo Vessoni

Fazer turismo por ali é uma experiência para poucos. Não só por conta de suas condições climatológicas extremas, mas também pelos custos da viagem (um bate volta e volta, saindo de Punta Arenas, no Chile, custa US$ 5.500 por pessoa).

A temporada de verão por ali, que costuma ir do final de outubro ao início de abril, está praticamente concluída e novas medidas de biossegurança já estão sendo discutidas.

De acordo com uma fonte, que pediu para não ser identificada, a IAATO (International Antarctic Association Tour Operators) já discute medidas mais rígidas em procedimentos nos futuros cruzeiros antárticos, como a utilização de túnel desinfetante e exigência de certificado de saúde que comprove que o visitante não está infectado. Questionado pela reportagem, o setor de comunicação não se manifestou sobre o assunto.

"Verificamos nossos protocolos de biossegurança existentes com especialistas e, com base nas melhores informações disponíveis, determinamos que as políticas e procedimentos atuais eram eficazes", resumiu Victoria Dowdeswell, assistente de comunicação digital da IAATO.

A última viagem

A proximidade do fim da temporada antártica, que coincidiu com o início da pandemia declarada pela OMS em 11 de março, permitiu que alguns operadores pudessem concluir os serviços na região.

Para Thiago Vasconcelos, diretor-executivo da Pier 1 Cruise Experts, a última temporada foi positiva e com um patamar de vendas similar ao do ano anterior, "mesmo com os primeiros sinais da crise da covid-19 já presentes".

Sua agência, especializada em cruzeiros de luxo, costuma embarcar, anualmente, não mais que 20 passageiros, em viagens que custam cerca de R$ 60 mil por pessoa.

De acordo com Maria del Pilar Fernandez, gerente de vendas internacionais da Oceanwide Expeditions, cuja frota faz roteiros marítimos na Antártida e no Ártico, as últimas saídas da temporada tiveram que ser canceladas quando a epidemia começou a se alastrar pelo mundo, em março.

Com o fechamento das fronteiras na Argentina, de onde partem as embarcações dessa companhia com sede na Holanda, "tivemos que desembarcar nossos passageiros [que ainda estavam em viagem pela Antártica] em Montevidéu e [dali] foram trasladados para Santiago e São Paulo para realizarem as conexões nos voos de retorno para casa", descreveu María del Pilar por e-mail. 

No campo científico, algumas medidas também foram tomadas para prevenir e evitar o desembarque do vírus no continente. De acordo com nota do Instituto Antártico Chileno (INACH) enviada para o Nossa, grupos de pesquisadores já foram retirados, expedições estão suspensas e bases antárticas do Chile foram fechadas, como a Yelcho, na Ilha Doumer.

"O Programa Antártico Chileno está em processo de planejamento dos protocolos para manter a Antártida livre da covid-19", explicou Paulina Rojas Paredes, chefe de departamento do INACH, instituição subordinada ao Ministério das Relações Exteriores do Chile.

Procurado diversas vezes e por diferentes meios, o Pronantar, o programa brasileiro na Antártica, não retornou nosso contato. 

O futuro do turismo 

Mesmo com todos os planejamentos e campanhas para reduzir danos, o setor turístico ainda está mergulhado em incertezas. E no exclusivo turismo antártico não deve ser diferente. 

"A curto e longo prazos, o impacto da covid-19 nas operações da próxima temporada não são claros. Dada a natureza sem precedentes da pandemia e suas contínuas mudanças na saúde e nas viagens, a questão ainda é muito viva e exigirá monitoramento e modificação à medida que se desdobrar", analisa Victoria Dowdeswell.

Quando questionados sobre o que deve acontecer no continente, após a pandemia, todos os entrevistados dessa matéria foram cautelosos, sobretudo por conta da ausência de medidas internacionais que regulem o turismo de cruzeiros para as temporadas seguintes.

"Tomamos medidas possíveis de segurança e nossos procedimentos já foram alterados", informou por e-mail, Franklin Braeckman, gerente de marketing da Oceanwide Expedition.

No entanto, a empresa não detalhou quais seriam essas novas medidas, "[já que] a situação mundial muda todos os dias (...) e os nossos procedimentos também estão sujeitos a alterações e melhorias". 

"Até que a indústria de cruzeiros não dite as regras gerais, não vamos anunciar nenhuma medida específica", completou.

Fonte: Uol
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