Terça, 27 de Julho de 2021
86 9 9821-9621

Redação

Whatsapp / Sugestôes

(86) 99821-9621

Cristina

Publicidade

(86) 98195-0154

30°

21° 35°

Teresina - PI

Últimas notícias
Balanço das Letras
Balanço das Letras
Jornalista, radialista e redator publicitário apaixonado pelas letras. Comunicador há 35 anos.
Brasil Política
03/05/2020 18h29 Atualizada há 1 ano
Por: Willian Tito

A DELAÇÃO PREMIADA DE MORO

Foram cerca de 8 horas de depoimento do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Fernando Moro. A Superintendência da Polícia Federal em Curitiba foi o palco escolhido por ele para revelar o intestino de sua relação com o presidente Jair Bolsonaro.

O simbolismo do local resgata a sua atuação quando era juiz da 13ª Vara de Justiça Criminal do Paraná, titular da Operação Lava Jato - a maior operação de combate à corrupção que se conhece no mundo moderno.

Sérgio Fernando Moro, ex-ministro da Justiça e Segurança Pública
Sérgio Fernando Moro, ex-ministro da Justiça e Segurança Pública

Quando inquirido sobre o primeiro processo que o condenou, o ex-presidente Lula levou cerca de 4 horas para responder às perguntas de Moro e dos promotores sobre o Caso Triplex. O ex-juiz dobrou o tempo e a aposta.

A querela com Bolsonaro, se devidamente comprovada com evidências materiais, certamente será o que falta para desencadear o processo de impeachment, na Câmara Federal. O Chefe do Executivo, se cair, será pelo conjunto da obra, mas as acusações de Moro selam o destino da nação.

STF unido e coeso

Os ministros da mais alta Corte de Justiça, fatigados pelos ataques incessantes desde antes da posse, formaram o consenso gládio em torno da defesa do poder que representam. Bolsonaro posicionou-se como inimigo e assim é identificado.

Na manhã da última quinta-feira, 30, o presidente atacou duramente a decisão do ministro, que revogou a nomeação de Alexandre Ramagem para a Direção-Geral da PF. Diferentemente da solenidade de posse do substituto de Moro, André Mendonça e de José Levi na Advocacia-Geral da União.

A sutileza da tarde de quarta fermentou até o cercadinho tradicional com os repórteres e apoiadores, na manhã seguinte. Quando está entre autoridades, Bolsonaro comporta-se adequadamente, promovendo o discurso da harmonia entre os poderes. Quando está entre os seus fãs, destila toda a bílis e incendeia sua milícia digital.

O time da toga preta deu provas de união e corporativismo ao marcar território em defesa do ministro Alexandre de Moraes. Todos os colegas de tribunal vestiram a capa para protegê-lo e a si. Unanimemente elogiaram a competência e a atuação de Moraes, bem como exaltaram os valores da República, na quinta-feira após os insultos presidenciais

Um pote de mágoas

A relação entre os membros e os chefes de poderes e o presidente está desgastada, puída e repleta de rancor. Ruminando as provas que encaixam com a tese que os idealizadores e patrocinadores das investidas ao Supremo com fakes news estão no círculo íntimo de Bolsonaro, Alexandre de Moraes apressa a conclusão do inquérito iniciado há mais de um ano.

Ao determinar que os delegados que apuram os supostos crimes não fossem mudados, garantiu que não haveria interferência política, como declinou Sérgio Moro. Entre a denúncia e a ação de Moraes foi pouquíssimo tempo, dando-se na mesma manhã da demissão de Moro. Ao defender e proteger os delegados titulares da investigação, cavou sua trincheira e vem agindo para preservá-la.

Atuando em conjunto, o ministro Celso de Mello determinou, na quinta-feira, 30, que o depoimento do ex-ministro da Justiça fosse colhido em até 5 dias. Com prazo inicial de 60 dias, o STF apertou o passo a fim de acelerar o andamento do processo movido pela PGR e resguardar o depoente e as provas.

O caminho da Justiça está trancado para Bolsonaro, que insinua estar fechada na mesma teoria de Moro. O STF tem agido para correr contra o tempo e dar a materialidade suficiente para atender a Procuradoria-Geral da República. A partir daí, Augusto Aras terá que decidir se oferece denúncia ou arquiva o processo.

De lado a lado, o ressentimento transbordou, com poucas chances de reformatar os escombros arruinados. A saturação amadureceu para a digladiação franca em comum. Bolsonaro faz ameaças veladas, os seguidores refletem o que pretende e a tendência é acirrar os ânimos.

PF fechada com Moro

A exoneração do ex-ministro da Justiça trouxe mais bônus do que ônus a ele. A fidelidade dos apoiadores de Moro mostra-se com atos de lealdade. Em seu depoimento, em Curitiba, estavam presentes e enfrentaram os seguidores do presidente. Nas redes sociais, os seguidores de Bolsonaro decresceram e os de Moro elevaram-se.

A visibilidade, ajudada pela grande mídia, coloca-o permanentemente entre as pautas prioritárias. Os mais empolgados já o lançaram à presidência em 2022. Reservado, Moro evita comentar o assunto, mas certamente não se furtará a tratar sobre o tema um pouco mais adiante.

Ao demitir-se, defendeu a Polícia Federal. Em contrapartida, ganhou a proteção de seus pares além da obrigação de ofício. Moro saiu em sua defesa e passa a ser defendido dia e noite pela PF. Do outro lado está Bolsonaro insistindo em implantar a gestão de seu interesse. Por óbvio, os policiais e delegados vão ficar com quem? Moro está fechado com a PF e ela com ele.  

Cenário congelado pelo caos

A pandemia avança ferozmente. Neste domingo, ultrapassamos o número de 100 mil infectados. Os óbitos já são 7.025, segundo dados do Ministério da Saúde.  

Mesmo com as restrições mais severas tomadas pelos governadores da maioria dos estados e prefeitos da maioria das cidades, os números deram um salto exponencial de mortos e contagiados.

O ministro da Saúde, em sua inércia, pouco ou nada faz para colaborar em minimizar o caos. Em sua face, uma indiferença inexpressiva espelha a toxina botulínica injetada. Teich está no posto apenas para segurar, inclusive as pancadas. Entretanto, o alvo acaba canalizando as setas a Bolsonaro.

Bolsonaro saiu mais uma vez neste domingo, 3, endossando o seu apoio aos manifestantes que propagam pautas antidemocráticas. Aglomerados em frente ao Palácio do Planalto, reforçam o desejo do presidente em romper com o isolamento social, flexibilizando a quarentena e inflamam a relação com o STF, Câmara e Moro.

A cena caótica agrava-se, o governo não consegue ou não faz frente para mitigá-la, a crise entre os poderes consolida-se, o presidente negocia com os líderes do Centrão, antevendo o que possa ter que enfrentar num futuro próximo, as investigações aprofundam-se, cercam-no e trarão novidades em breve. Na plateia, o povo assiste a tudo com a barriga roncando vazia.   

Veja também
Desenvolvido por: Lenium®
Nosso grupo do WhatsAppWhatsApp