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Willian Tito Jornalista, radialista e redator publicitário apaixonado pelas letras. Comunicador há 35 anos.

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Cultura - Onde está?

Postada em 04/05/2020 ás 20h18 - atualizada em 05/05/2020 ás 00h19

Publicada por: Willian Tito

O SILÊNCIO SEPULCRAL DE REGINA
A secretária de Cultura perdeu o protagonismo?
O SILÊNCIO SEPULCRAL DE REGINA

Regina Duarte, Secretária Nacional de Cultura

A atriz Regina Duarte, empossada com pompa, pum de palhaço e circunstância no dia 4 de março, há exatamente dois meses, na Secretaria Especial da Cultura, ainda não disse a que veio nem a que não veio.

Após a queda do antecessor, Roberto Alvim, no que restou do Ministério da Cultura, hoje atrelado ao Ministério do Turismo, nunca saiu do lugar. A estética nazista na forma e conteúdo do ex-secretário, divulgada em 16 de janeiro por vídeo, anunciava um novo tempo e um programa, que esfacelou-se juntamente com ele.

No intervalo entre ele e ela, além do hiato de tempo de mais de um mês, um namoro, noivado e finalmente um casamento que já nasceu fadado a não ser consumado. Desabastecida de autoridade e autonomia, Regina não consegue avançar porque está cercada pela ala ideológica e “filosófica” do governo.

 

Caneta sem tinta

Depois que tentou colocar sua equipe para trabalhar, encontrou o muro frio e intransponível das forças palacianas, que vigiam qualquer tentativa de fazer o setor cultural criar pontes com artistas.

Ocupada por religiosos e alunos de Olavo de Carvalho, a secretária enfrenta a realidade dura de não poder nomear pessoas competentes, que conhecem a sistemática da produção cultural e têm planos para fomentar a economia da cultura.

A promessa de receber a Secretaria de porteira fechada, lembrada por ela durante o discurso de posse, vê-se que foi mais um elemento do canto mavioso da sereia. Deslumbrada com o poder, a atriz deixou-se levar pela palavra que não se cumpriu.

Em sua gestão, Regina Duarte tem usado as redes sociais para divulgar fake news para colaborar com a tropa de choque governista. Pela prática ilegal e infeliz, já foi alertada pela administração dos aplicativos sobre o conteúdo desinformador. A anticultura da verdade ganhou uma nova protagonista.

 

Alguém sabe dela?

Além da pandemia que avançou definitivamente no fim de março e por todo o mês de abril, o obituário ganhou a atenção com a passagem de grandes artistas para outro plano.

Entre eles, o artista plástico, escritor e educador, Daniel Azulay (27/03); o cantor e compositor, Moraes Moreira (13/04); o escritor Rubem Fonseca (15/04); o escritor Luiz Alfredo Garcia Roza (16/04). Regina, ávida em publicar notícias falsas, não fez nenhuma menção em suas redes sociais. Muito menos a Secretaria emitiu alguma nota.

Hoje, 4, de uma vez, dois gigantes se foram. O escritor e compositor Aldir Blanc, um dos maiores de todos os tempos. Suas letras soavam como remédio, especialmente nas vozes de Elis Regina e João Bosco. O médico, psicanalista por formação, tirou do divã e deu alta a muitos corações em suas letras que tratavam sobre o amor, como “Resposta ao Tempo” e “Dois pra lá, dois pra cá”.

O colega de profissão de Regina, Flávio Migliaccio, deixou-se ir aos 85 anos. Num bilhete de despedida, queixou-se da humanidade, do tratamento que a sociedade dá aos idosos e recomendou que se cuidasse das crianças de hoje. Lendário ao compor personagens como Xerife, Tio Maneco e Seu Chalita, morreu num monólogo dos mais tristes.

Até a publicação deste texto, a secretária Regina mantém-se em silêncio sepulcral. Como se estivesse amordaçada ou proibida de pronunciar-se, censurada ou algo que o valha. Causa espécie a toda a classe artística. A indiferença deixa o Brasil estupefato.

Encantada com a ascenção ao poder, aos 73 anos, a experiente atriz não percebeu que era apenas uma cena. O script perdeu-se pelos corredores palacianos. A fala foi cortada. Nem como figurante sobrou-lhe um papel. A pantomima perdeu-se nos ensaios. O espetáculo foi cancelado. Cadê Regina?

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