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Saúde - Nelson Teich

Postada em 06/05/2020 ás 10h56 - atualizada em 06/05/2020 ás 11h03

Publicada por: Bruna Sampaio

Secretários veem novo ministro da Saúde ‘perdido’
Segundo os relatos, a impressão é de falta de conhecimento da gestão pública
Secretários veem novo ministro da Saúde ‘perdido’

Ministro Nelson Teich - Foto: Júlio Nascimento/PR

O oncologista Nelson Teich, que assumiu o Ministério da Saúde há exatos 18 dias, ainda não mostrou a que veio. A avaliação é de secretários estaduais, parlamentares e autoridades do Sistema Único de Saúde (SUS) que participaram de reuniões e videoconferências com o ministro nos últimos dias. Segundo os relatos, a impressão é de falta de conhecimento da gestão pública e uma atuação tutelada por militares e pelo Palácio do Planalto.

Sempre ao lado do general Eduardo Pazuello, “número 2” no ministério, Teich sai pela tangente quandoconfrontado por assuntos mais espinhosos, como fim da quarentena e compra de respiradores. As posições firmes de seu antecessor, Luiz Henrique Mandetta, muitas vezes contrariando o presidente Jair Bolsonaro, foram apontados como motivo para sua demissão do cargo.

O novo ministro, por sua vez, tem evitado confrontar o presidente. Bolsonaro tem aumentado a aposta ao atacar governadores que decretam quarentenas e voltou a participar de atos pró-governo com aglomerações, como ocorreu no domingo, em Brasília. Horas após a manifestação, em pronunciamento em Manaus (AM), Teich calou-se sobre o fato de o chefe do Executivo ter atropelado recomendações de organismos de saúde e da própria pasta sobre distanciamento social.

Nos bastidores, secretários de Estados e de municípios dizem, em tom irônico, que o verdadeiro ministro da Saúde é Pazuello, pois, em reuniões, o militar trata sobre o que a pasta de fato entregará. Teich usa termos vagos, segundo estes interlocutores, e afirma que “busca dados” ainda para praticamente todas as situações.

Em audiência no Senado, na semana passada, Teich foi duramente criticado por senadores por não seposicionar claramente sobre o isolamento social. “Estou estarrecido. Com todo respeito, mas acho que éuma dubiedade muito séria. Por favor, seja firme e claro nessa posição. Dê o recado à nação como líderda Saúde no País. Não pode haver dubiedade, especialmente quando o presidente da República estádando sinais contrários”, afirmou Tasso Jereissati (PSDB-CE).

O clima na sessão piorou após o ministro falar em alterar a diretriz de distanciamento social. Após queixas de senadores, Teich defendeu-se, dizendo que o ministério nunca defendeu a saída do isolamento: a pasta apenas dá diretrizes para que gestores do SUS decidam sobre medidas restritivas.

Governadores e secretários do Nordeste também notaram Teich “perdido” em videoconferência na última semana. O ministro chegou a consultar os gestores locais sobre qual a melhor forma para comprar respiradores ao País, sem depender de importadoras. O ministério anunciou na última semana que falhou uma tentativa de compra de 15 mil unidades da China, por R$ 1 bilhão. Em Manaus, no domingo passado, o ministro disse que o governo tentaria fazer nova importação de respiradores, agora composição da equipe de Teich reflete acordos de Bolsonaro para costurar apoio sem intermediários, mas não revelou quantos aparelhos deseja trazer ao País.

A pasta hoje depende da produção nacional, que, na visão de gestores do SUS, não dará conta do aumento de casos no País. A composição da equipe de Teich reflete acordos do governo Bolsonaro para costurar apoiotanto da ala militar como de partidos do “centrão” no Congresso. O general Pazuello foi indicado por Bolsonaro ao cargo de secretário executivo, “número 2” do ministério. No cargo, ele fica responsável por áreas estratégicas da saúde durante a pandemia, como de compras e dados. O secretário executivo adjunto, também nomeado na gestão Teich, é o coronel Elcio Franco Filho.

A Secretaria de Vigilância em Saúde foi prometida ao PL, do ex-deputado Valdemar Costa Neto, condenado no mensalão e investigado pela Lava Jato. Ainda não há nome para o cargo. A pasta hoje é ocupada pelo epidemiologista Wanderson Oliveira, que ganhou projeção ao formular a estratégia contra a covid-19. Oliveira continua no cargo durante a transição.

Único indicado pelo novo ministro a ser nomeado como secretário até agora, o médico e biofísico Antonio Carlos Campos de Carvalho vai ocupar a secretaria de Ciência e Tecnologia do Ministério daSaúde. Ele é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

No cargo, Carvalho fica responsável pela avaliação da oferta de tecnologias no SUS. A pasta emite notastécnicas recomendando ou não uso da cloroquina, por exemplo. A secretaria ainda é estratégica portratar de parcerias com o setor produtivo, chamadas de PDP.

Fonte: Estadão

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