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Willian Tito Jornalista, radialista e redator publicitário apaixonado pelas letras. Comunicador há 35 anos.

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Brasil - Artigo de Opinião

Postada em 07/05/2020 ás 20h07 - atualizada em 08/05/2020 ás 05h02

Publicada por: Willian Tito

VIDA É ECONOMIA
Falta de liderança causa prejuízo
VIDA É ECONOMIA

Presidente Jair Bolsonaro

Publiquei o texto “Economia: o principal ativo é a vida” no dia 23 de março deste ano. Argumentava numa defesa que considero até óbvia. Lógico que a vida é mais importante que a economia.

Hoje, 7, quinta-feira, o presidente Bolsonaro disse o contrário: “Economia é vida”. Não é não, senhor presidente. Mais uma vez, está confundindo e trocando as bolas. Invertendo o principal ativo deste planeta.

O que temos de mais caro e que nem pode ser avaliado é a vida. Talvez para o senhor, as vidas dos mais de 9 mil brasileiros abatidos pela covid-19 não tenha importância e a economia seja mais importante, mas não é nem nunca será.

Sem considerar que os casos são subnotificados, oficialmente, o Ministério da Saúde divulgou hoje que são mais de 135 mil pessoas contaminadas no Brasil. Há três dias seguidos, mais de 600 pessoas morrem em consequência dos problemas respiratórios desenvolvidos pelo vírus.

Justamente quando as evidências são mais significativas, que as medidas de isolamento e distanciamento social precisam ser aumentadas para refrear a tragédia, a liderança solta mais um absurdo que segue na contramão do bom senso.

 

Calado, ainda estaria errado

Na prática, o presidente trabalha em total desalinho do que prega diariamente o Ministério da Saúde. Os técnicos recomendam que se evite aglomerações, o presidente promove o oposto com visitas em comércios e participando de manifestações.   ‘

As autoridades sanitárias informam que o uso da máscara facial pode diminuir o contágio, o presidente não a usa na maioria das vezes, quando usa é de forma equivocada. Para piorar, cumprimenta as pessoas, tira selfies, abraça. Faz tudo o que vai de encontro aos protocolos que orientam as instituições da Saúde.

No discurso, consegue ser cruel ao minimizar o número de mortos pela doença. Não importa se algum trabalhador morreu. Não há interesse em ser verdadeiramente solidário com a família das vítimas. Não há iniciativa em visitar as cidades mais atingidas. Nem se imagina o presidente visitando uma unidade de saúde que trata a covid-19 nem os entes enlutados.

 

A economia é imortal

Não resta dúvida que a economia mundial está abalada. A depressão econômica é inevitável. Os países mais ricos apontam perdas em seu produto interno bruto oscilando em torno de 10%. Mas nenhum deles tem dúvida que vão sobreviver e vão se recuperar.

Já a vida perdida é irrecuperável. A dor de quem perde seus familiares é incurável. Não há recuperação no buraco que fica no mercado de trabalho com tantos trabalhadores sendo sepultados, diminuindo o poder de refazer a economia a curto prazo sem eles.

Se o presidente estivesse realmente preocupado com a economia, investiria para que saíssemos o mais rápido possível do caos que atinge os cidadãos.

Comprando equipamentos, adquirindo insumos e garantindo bônus aos que estão na linha de frente arriscando as suas vidas para salvar as de outros brasileiros, estaria assegurando menos caos econômico.

Se a economia fosse o xis da questão, o presidente seria o primeiro a dar o exemplo a fim de orientar a população para ficar em casa, dando garantia financeira robusta para manter a segurança alimentar, de manutenção dos empregos, da preservação da saúde da empresas e de condições de trabalho aos heróis de combate à pandemia, os profissionais da saúde.

 

Capital político em queda

Não bastasse o avanço acelerado das investigações que vão revelar a interferência política na Polícia Federal, se não fosse pouco a entrada triunfal do Centrão no governo, desmontando a tese do discurso anticorrupção, ainda vemos o dilapidação dos dividendos políticos.

Talvez seja este o verdadeiro fator que justifique tamanho descompasso com a realidade. A perda na economia, que vai derrubando os futuros índices de intenções de voto, é que assombram o presidente. O futuro embaçado e embaraçado dos apoios do mercado que não vão receber o prometido é que tiram-lhe o sono e estimulam pesadelos.

O capital político do presidente, com as condutas equivocadas, afunda abaixo da expectativa do déficit econômico. Neste aspecto, cada decisão que vai na contramão da preservação da vida gera um prejuízo que dificilmente será recuperado. Somente a falta de capacidade de liderança de Bolsonaro está em superávit.

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