Sexta, 23 de Outubro de 2020
86 9 8877-6606

Redação

Whatsapp / Sugestôes

(86) 98877-6606

Cristina

Publicidade

(86) 98195-0154

26°

23° 37°

Teresina - PI

Últimas notícias
Balanço das Letras
Balanço das Letras
Jornalista, radialista e redator publicitário apaixonado pelas letras. Comunicador há 35 anos.
Brasil Política
12/05/2020 19h37 Atualizada há 5 meses
Por: Willian Tito

O VÍDEO DO FIM DO MUNDO

O futuro de Bolsonaro numa cena de cinema

Sérgio Moro e Jair Bolsonaro
Sérgio Moro e Jair Bolsonaro

Hoje, 12, na sede da Polícia Federal, foi exibido o propalado vídeo de reunião ministerial que materializa as denúncias da intervenção política do presidente na PF, conforme acusou o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro.

Em sua saída, no dia 24 de abril, e no depoimento à PF, em Curitiba, em 2 de maio, Moro afirmou e confirmou que o presidente Bolsonaro pretendia intervir no comando geral da PF e, especialmente, na Superintendência do Rio de Janeiro.

O vídeo, gravado no dia 22 de abril, não deixa nenhuma dúvida sobre as intenções do presidente. E tem vários desdobramentos que tornam-se agravantes. A forma como se manifesta diante da alta cúpula do Executivo, com palavras de baixo calão e o ataque aos ministros do STF pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub.

A fita do começo do fim

As consequências iniciaram antes mesmo do fim da exibição do vídeo. Bolsa de Valores em queda. Dólar em alta. Mercado financeiro refletindo a instabilidade política na economia. Mas isso não é tudo.

Estamos diante de provas contundentes de práticas nenhum pouco republicanas do governo. Antes de chegar ao conhecimento público, as fontes revelam que o conteúdo bombástico pode implodir o governo de Bolsonaro.

O escândalo desencadeia tudo o que os adversários políticos do presidente precisam para sustentar com argumentos o processo de impeachment. O vídeo traz o vendaval que faltava para assegurar robustamente o desmanche da governabilidade de Bolsonaro.

 

Cenas dos próximos episódios

O ministro responsável pelo inquérito, Celso de Mello, ao que tudo indica, vai divulgar o desastroso vídeo. Na íntegra ou parcialmente, o conteúdo vai dilapidar a que resta da imagem do presidente perante a opinião pública.

A transparência vai agir rapidamente. Além da fragilização da sustentação política do presidente, a avançada negociação com os parlamentares do Centrão renova o cenário no escambo de cargos por apoios.

A inflação nos corredores do parlamento corroem as relações rapidamente. Mais importante que garantir números que construam uma maioria para votações de interesse do governo, o fantasma do provável início de impedimento do presidente vai encarecer valores e espaços de ocupação.

Depois de todos os depoimentos colhidos e as provas periciadas, o inquérito será encaminhado à Procuradoria-Geral da República a fim de que a óbvia denúncia seja feita no STF ou siga para arquivamento, o que seria outro escândalo.

Tradição, família e propriedade

O slogan original, absorvido com adaptações pela direita e extrema direita, traz as variantes que justificam a narrativa dos defensores da conduta reprovável do presidente comprovadas pelo temeroso vídeo.

No entanto, confronta-se com os valores da República e ferem a Constituição Federal, sob a qual o presidente jurou com as mãos postas defendê-la intransigentemente. Não é o que vemos nem o que foi assistido pelas fontes que tiveram acesso à filmagem.

A Presidência da República não pertence a Bolsonaro. Ele a conquistou por um período e deveria respeitá-la integralmente, com austeridade, até o fim do mandato. A família do presidente não pode estar acima da República nem da CF.

Os fatos por si, caso não sejam combatidos exemplarmente, transformam-se em uma tradição nefasta e contagiam a todos da pior forma possível. Se ele pode interferir em uma instituição que defende o interesse do Estado, quem não pode fazer o mesmo?

Veja também
Desenvolvido por: Lenium®