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04/07/2020 11h12
Por: Marina Sousa

Fui traída. Isso significa que é uma relação abusiva?

Foto: Frepik
Foto: Frepik

Em tempos de “exposed” e denúncias de infidelidade nas redes sociais, a discussão sobre traição ser ou não uns abusos voltam à tona. Afinal, ser traída significa estar em uma relação abusiva? Com isso em mente, buscamos algumas profissionais para discutir o assunto. 

Para a psicóloga Lívia Marques, especialista em terapia cognitiva comportamental, a traição pode, sim, ser considerada um abuso. “Em muitos casos, pode se configurar como um abuso por expor e desrespeitar o limite e o corpo do outro. A partir do momento em que você trai, você coloca o outro em lugar vulnerável e de exposição. É abusar da boa vontade, do afeto e da confiança”, diz. 

Para entender a traição como abuso, Lívia explica que é preciso romper com a ideia de que o abuso é apenas físico. “O abuso pode ser quebrar combinados dentro de um relacionamento”, pontua. 

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Ela ainda comenta que “quando falamos de traição, não estamos falando de padrão”, por isso, não é possível “medir” o que o outro sente com base nas nossas experiências, ou seja, não dá para dizer que não é abusivo, se a mulher afirma que é. “A traição pode acontecer comigo de uma forma e eu interpretar de um jeito, mas o outro não. Não podemos medir o que o outro está sofrendo com a nossa régua”, comenta. 

Lívia ainda lembra: “Relacionamentos abusivos são tóxicos e a traição é tóxica, porque ela fere você”.

Por outro lado, Marina Prado Franco, psicóloga mestre em psicologia clínica pela PUC-SP, diz que é preciso analisar alguns pontos antes de afirmar que traição é abuso. “Traição por si só não pode ser considerada um abuso, mesmo em caso de um relacionamento monogâmico. Quando a traição acontece, se for isolada, é muito mais uma irresponsabilidade afetiva, uma não transparência no relacionamento com o outro do que um abuso propriamente”, pontua.

Rosângela Matos, especialista em relacionamentos, concorda. “Quando a traição vem acompanhada de manipulação, abuso psicológico, humilhações e jogos emocionais pode ser considerado um abuso”, explica.

Nesse sentido, Marina diz que é preciso de um histórico associado a outros comportamentos, como esses citados por Rosângela. “O abuso preciso de uma junção de comportamentos que, em alguns casos, inclui a traição”, completa.

Afinal, o que é um relacionamento abusivo?

Segundo Lívia, um relacionamento abusivo é aquele onde um deseja controlar o outro, desrespeitando o espaço, se aproveitando do amor e da afetividade do outro. “Às vezes, nem percebemos o abuso, porque nem sempre é físico. É o controle, a falta de cuidado, o abandono”.

Rosângela reforça que é toda e qualquer forma de controle sobre o outro e alerta para atitudes como: 

  • Ciúme possessivo e desconfiança 
  • Manipulação 
  • Isolamento da família, amigos e círculo social 
  • Críticas constantes e humilhação
  • Jogos emocionais que fazem com que a vítima acredite que não faz nada direito 
  • Controle sobre roupas, patrimônio, celular e senhas e até mesmo escolhas
Fonte: Claudia Ratti/IG
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