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27/01/2021 17h22
Por: Bruna Sampaio

Conheça o peixe que pode custar mais que uma Ferrari

Esse peixinho aí é o pet aquático mais caro que existe - A2ZPHOTOGRAPHY/WIKIMEDIA COMMONS
Esse peixinho aí é o pet aquático mais caro que existe - A2ZPHOTOGRAPHY/WIKIMEDIA COMMONS

Há algo que liga traficantes dos Estados Unidos, chefões da Yakuza, colecionadores europeus e ricaços chineses: a cobiça por um peixe de estimação extremamente caro, que pode custar mais que uma Ferrari.

Mais que sua beleza, o aruanã-dourado se tornou um símbolo de status entre pessoas do mundo inteiro.

O animal é considerado em risco de extinção e totalmente proibido nos Estados Unidos. No país, não é permitido comprar, vender, transportar e, na grande maioria dos casos, possuir um exemplar da espécie.

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Mas em outros países seu comércio é liberado, e movimenta um mercado de mais de R$ 1 bilhão ao ano.

Mas como um peixinho que vive em áreas pantanosas se tornou tão valioso e cobiçado? Quem começou essa moda? Que país controla esse mercado tão valioso?

Dos pãntanos para os aquários de milionários

Tudo começou em 1975. Antes desse ano fatídico, o aruanã era um peixe qualquer, comum no Sudeste Asiático e razoavelmente apreciado na Malásia. Ninguém o queria no aquário ou tampouco pagava montes de dinheiro para ter um em casa.

Naquele ano o aruanã foi declarado ameaçado de extinção, uma vez que as áreas úmidas da região onde ele era abundante começaram a desaparecer. Pântanos e outros ecossistemas encharcados foram aterradas ou se tornaram partes de cidades.

Essas mudanças diminuíram muito a quantidade de exemplares existentes. Mas o tratado que impedia a comercialização dele, chamado CITES (ou Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção, em português), causou um efeito um tanto inverso.

"O tratado realmente transformou o peixe neste bem de luxo de edição limitada", afirmou Emily Voigt, autora de um livro sobre o assunto (The Dragon Behind the Glass), em entrevista ao site The Hustle.

A proibição criou então um comércio ilegal no Japão, onde passou a ser apreciado pela Yakuza. Daí o mesmo ocorreu em outras partes da região, onde o animal se tornou um símbolo de status — mais ou menos como o cachorro mastim tibetano foi recentemente.

Parte disso tem a ver com culturas locais. O aruanã-dourado tem cores vibrantes, é agressivo e possui uma carranca. Essas características são admiradas como "sinais de boa fortuna", principalmente na China e Japão.

Esse pequeno compartimento tem cerca de R$ 120.000 em peixes - REPRODUÇÃO/US FISH AND WILDLIFE SERVICE

Cirurgia plástica

Segundo o The Hustle, o sucesso do aruanã criou novos mercados no Sudeste Asiático. O mais bizarro deles é o de cirurgia plástica em peixes! Os especialistas fazem lifting de olhos, melhoras no queixo e mudanças na cauda.

Os preços e o tráfico também afetaram a economia global. Autoridades internacionais passaram a permitir a criação e comercialização dos peixes em fazendas dedicadas a isso.

A ideia por trás da medida era simples: a criação legalizada baixaria o preço do animal e salvaria as espécies nativas.

Não deu muito certo.

O aruanã-dourado praticamente sumiu da natureza e hoje praticamente só está presente em fazendas, estrelando um mercado global de cerca de R$ 1.071 bilhão por ano (ou US$ 200 milhões).

Mercado legal & ilegal

Atualmente, fazendeiros da Indonésia e Malásia praticamente dominam o mercado e ainda o inovam, se especializando na variante "Super Vermelha" do peixe, a preferida entre magnatas chineses, onde é conhecido como "peixe dragão".

O preço normal de um exemplar da espécie saído dessas fazendas é cerca de R$ 16.000 (US$ 3.000), mas alguns fatores podem lançar os valores até a estratosfera. Em 2016, um aruanã foi vendido por nada menos que R$ 1,6 milhão (US$ 300.000), supostamente para um chefão do Partido Comunista Chinês.

Algumas dessas fazendas se tornaram corporações globais multimilionárias que vendem dezenas de milhões de dólares em peixes anualmente.

E o mercado ilegal continua ativo. Roubos, assassinatos, extorsões e sabotagens são considerados comuns, segundo Emily Voigt. Locais autorizados a vender e manter estoques do peixe precisam se tornar verdadeiras fortalezas para guardar a carga preciosa.

Nos Estados Unidos, onde o comércio do peixe ainda é 100% proibido, uma comunidade sigilosa de traficantes e compradores existe nas sombras.

Apesar da proibição e de prisões existirem há anos, os traficantes pegos são soltos sob liberdade condicional e multas que chegam a R$ 80.000 (US$ 15.000), um valor baixo ante a taxa de liucro que vender o peixe atinge. Nesse caso, o crime pode compensar.

Fonte: Hora 7
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