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Geral Maternidade
10/03/2021 16h37
Por: Bruna Sampaio

10 sinais de alerta que você não deve ignorar na gravidez

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A estudante de psicologia Paloma Badia, 21 anos, estava grávida de 31 semanas da primeira filha quando começou a sentir dores abdominais. Faltou na faculdade, tomou um banho quente e descansou durante o dia. À noite, com a piora no quadro, foi ao pronto-socorro. “O médico fez o exame de toque, mas eu não estava com nenhuma dilatação”, diz a mãe de Lara, 3 anos, e Liam, 6 meses. “Ele recomendou um analgésico e ia me mandar para casa, mas pedi para fazer um exame de urina.” Horas depois, veio o resultado. Embora Paloma não sentisse ardência para fazer xixi, estava com uma forte infecção urinária e iniciou imediatamente o uso de antibiótico. Sem diagnóstico e tratamento corretos, teria corrido riscos, como parto prematuro e até infecção generalizada.

Problemas, em maior ou menor grau, podem acontecer, mas as pesquisas mostram que não afetam a maioria das gestações. Um exemplo é um estudo publicado na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, que revelou que a incidência mundial de pré-eclâmpsia (PE) é estimada em 3% a 5% das gestações. Por aqui, apesar de sabermos que a estimativa é subestimada, é de 1,5% para PE e de 0,6% para eclâmpsia (veja mais à frente do que se trata).

Mas é preciso calma: a maioria das mulheres experimenta tanto a gravidez quanto o parto sem intercorrências. Porém, se há chance de complicações imprevisíveis surgirem, o melhor é ter condições de identificar os sintomas que merecem avaliação médica imediata, certo? CRESCER conversou com ginecologistas-obstetras para entender em quais situações a gestante pode relaxar, aguardar a próxima consulta pré-natal ou quando é necessário buscar atendimento imediato em um pronto-socorro.

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1. Dor de cabeça forte ou visão turva

Como é: Dor de cabeça intensa que persiste por mais de duas horas, não melhora com a ingestão de líquidos ou remédio. Pode vir acompanhada de alterações na visão e tontura.

O que pode significar: Desde uma crise de enxaqueca até um sintoma da Doença Hipertensiva Específica da Gravidez – especialmente se há desconforto na nuca e sensação de enxergar “estrelinhas”. Mais conhecida como pré-eclâmpsia (PE), é a principal causa de morte materna no Brasil. Além disso, eleva o risco de parto prematuro e de outras complicações para o feto, como baixo crescimento e prejuízo ao desenvolvimento intrauterino.

Como lidar: “Se foi um dia em que a gestante cansou mais, melhor fazer um repouso e observar como o quadro evolui. Se ela está mais inchada, ganhou muito peso e já tem a pressão mais alta, deve procurar atendimento médico imediato”, afirma o ginecologista e obstetra Alberto D’Auria, do Hospital e Maternidade Pro Matre (SP). É provável que sejam feitos exames como uma ultrassonografia obstétrica com doppler para verificar se o bebê está recebendo fluxo suficiente de oxigênio e nutrientes. Caso o diagnóstico seja PE, o médico pode prescrever medicações para controle da pressão arterial.

2. Febre

Como é: Temperatura acima de 37,5ºC.

O que pode significar: Alguma infecção, como urinária ou pulmonar – ainda mais na pandemia de covid-19. Geralmente, a febre vem com outros sintomas, a exemplo de dor de garganta ou ardência para urinar.

Como lidar: Avise seu médico. Ele pode prescrever antitérmicos, além de líquidos e repouso. Se a temperatura passar de 39oC, vá ao pronto-socorro. A ginecologista e obstetra Daniela Pinheiro, coordenadora da maternidade do Hospital e Maternidade Brasil da Rede D’Or São Luiz (SP), afirma que é preciso investigar a causa para não colocar mãe nem bebê em risco: “Muitas vezes, a gestante não tem outras alterações evidentes, mas está com uma infecção urinária que pode se agravar e acometer os rins ou evoluir para uma sepse [infecção generalizada]”.

3. Tontura ou desmaio

Como é: Mal-estar em que tudo parece girar, você pode perder o equilíbrio ou ter um súbito “apagão”.

O que pode significar: Talvez você apenas não tenha se alimentado bem, esteja com a pressão baixa ou anemia. Fique atenta se tiver dor de cabeça, visão embaçada, fala arrastada, batimento cardíaco acelerado, falta de ar. Nesses casos, pode indicar quadros mais graves, como pré-eclâmpsia, derrame cerebral, problemas de coração ou pulmão.

Como lidar: “No início da gestação, com o predomínio da progesterona e as alterações nos sistemas cardiovascular e circulatório, é muito comum que a gestante sinta moleza e mal-estar – algumas chegam a desmaiar”, explica a ginecologista e obstetra Daniela Pinheiro. Se as primeiras consultas pré-natal não detectaram nenhum problema, a recomendação é ingerir bastante líquido e se alimentar a cada três horas. Tonturas e desmaios são mais preocupantes após a 16ª semana de gravidez e quando associados a outros sintomas (mencionados acima). Informe seu médico ou procure um pronto-socorro.

4. Inchaço exagerado no rosto ou nas mãos

Como é: Não se trata de um inchaço leve – comum nos últimos meses de gravidez. É um edema nítido que “deforma”. Por exemplo: você não consegue dobrar os dedos ou abrir totalmente os olhos ou perde a sensibilidade dos lábios.

O que pode significar: Doença Hipertensiva Específica da Gravidez (pré-eclâmpsia). Ainda mais se o inchaço surgir de repente e/ou vier acompanhado de pressão alta, dores de cabeça, visão embaçada...

Como lidar: Procure imediatamente o pronto-socorro. “O inchaço normal na gravidez é aquele abaixo dos joelhos, como nas pernas e nos calcanhares”, diz o ginecologista e obstetra Renato Ajeje, da Comissão Nacional Especializada em Assistência Pré-Natal, da Febrasgo. “Ele acontece porque o volume abdominal comprime a veia cava, que faz o retorno do sangue para o coração. Essa compressão dificulta a circulação nos membros inferiores, provocando o inchaço”.

5. Náusea severa e excesso de vômito

Como é: Enjoos intensos e vômitos persistentes. Você não consegue se alimentar direito e até mesmo os líquidos não param no seu estômago. Outros sintomas comuns são boca seca, dores de cabeça, febre, confusão e tonturas.

O que pode significar: Hiperêmese gravídica, uma condição que pode levar à desidratação da gestante, prejudicar o ganho de peso e o desenvolvimento adequado do bebê.

Como lidar: Entre em contato com o seu médico. De acordo com o ginecologista e obstetra Alberto D’Auria, no início da gravidez, é comum enjoar e vomitar uma ou duas vezes ao dia. “Torna-se anormal quando a paciente desidrata e começa a perder potássio, colocando em risco o equilíbrio metabólico”, explica. Em alguns casos, a internação hospitalar, com a medicação endovenosa, pode ser a melhor alternativa para reduzir a quantidade de vômitos, garantindo a hidratação da gestante e o bem-estar do feto.

6. Dificuldade para respirar, dores no peito e/ou batimentos acelerados

Como é: Você sente que não consegue respirar profundamente, sua garganta e/ou peito estão apertados, há alteração na frequência cardíaca, como batimentos acelerados.

O que pode significar: Pode ser apenas ansiedade ou indício de infecção por covid-19, pré-eclâmpsia, embolia pulmonar ou infarto. Atenção especial se também tiver pressão alta, inchaço, dores nas costas e braço, alterações de visão e tontura.

Como lidar: O ginecologista Alberto D’Auria sugere que, antes de procurar um pronto-socorro, a gestante se deite de lado por meia hora e observe se os sintomas melhoram – pode ser um quadro de somatização. “Avalie se aconteceu algo que a deixou mais emotiva ou preocupada”, afirma. “É difícil encontrar uma grávida hoje em dia sem uma ansiedade perene. O acesso a tantas informações pode deixá-la com medo de tudo, e essa descarga contínua de adrenalina aumenta a frequência cardíaca.”

7. Moleza e cansaço extremo

Como é: Você não tem energia suficiente para fazer quase nada durante o dia e, mesmo quando descansa ou dorme bastante, não se sente revigorada. 

O que pode significar: Anemia, diabetes gestacional, doença cardíaca ou mesmo depressão. 

Como lidar: Marque uma consulta com o seu médico, que provavelmente pedirá exames de sangue e/ou urina para definir o diagnóstico e o tratamento mais adequado. “É muito comum as grávidas sofrerem de pressão baixa, que gera uma certa indisposição e vontade de ficar quieta”, diz Alberto. “Mas devemos investigar sempre o nível glicêmico: pode ser descoberto um pré-diabetes ou diabetes gestacional, que começam com esses sintomas.”

8. Dor abdominal aguda

Como é: Uma dor de barriga intensa ou tipo cãibra que não passa ou piora com o tempo. Difere das cólicas leves do início da gestação causadas pela tração dos ligamentos do útero, que está aumentando de tamanho.

O que pode significar: Infecção urinária ou vaginal, gravidez ectópica (fora do útero), aborto espontâneo, descolamento de placenta ou trabalho de parto prematuro.

Como lidar: Se você já sabe que a gravidez está acontecendo no útero e não há outro sinal de alarme, como um sangramento ou corrimento anormal, a ginecologista Daniela Pinheiro orienta tomar a medicação para dor prescrita pelo seu médico e fazer repouso. “Se não melhorar, procure uma avaliação médica. Pode ser alguma infecção, que requer tratamento com antibióticos”, diz. Caso seja descolamento de placenta ou trabalho de parto prematuro, talvez seja preciso internação para repouso absoluto ou outro procedimento.

9. Sangramento ou líquidos vaginais

Como é: Gotas e manchinhas de sangue não são motivo para alarde: o que preocupa é o sangramento volumoso e vermelho vivo. Além disso, corrimento que cheira mal ou um fluido “diferente” vazando da vagina.

O que pode significar: Sangramentos leves e sem dor no início da gestação costumam ser apenas sinais da acomodação normal do ovo no útero ou do colo do útero após uma relação sexual. Quando intenso e acompanhado de dor nas costas ou abdominal, há risco de aborto espontâneo, gravidez ectópica, distúrbios de placenta ou trabalho de parto prematuro. Na fase mais avançada da gravidez, a partir da 30ª semana, a perda de líquido claro pela vagina pode significar que a bolsa estourou. Corrimento com coceira e mau cheiro indica infecção vaginal.

Como lidar: Em caso de sangramento volumoso ou perda de líquido vaginal, avise seu médico e procure imediatamente o pronto-socorro. Pode ser só um susto, como o que viveu a estatística Aline Satie, 34 anos. Na 12ª semana de gestação dos gêmeos Guilherme e Gustavo, 2 anos, ela sangrou como se estivesse menstruada. Ligou para a médica e foi encontrá-la no hospital para ser examinada, com medo de ter perdido os bebês. “Ela me tranquilizou: eles estavam bem, só estourou um vasinho no colo do útero”, lembra.

10. Diminuição ou ausência de movimentos do bebê

Como é: Você desconfia que seu bebê não está se mexendo ou houve uma mudança no padrão habitual de movimentos – não há um número específico, cada feto tem seu próprio “ritmo”.

O que pode significar: Talvez ele esteja apenas dormindo... mas talvez esteja recebendo menos oxigênio ou nutrientes do que deveria, o que pode levar a um parto prematuro ou problemas no desenvolvimento.

Como lidar: Segundo a ginecologista e obstetra Daniela Pinheiro, depois da 34ª semana de gestação, não é normal ficar mais de 6 horas sem sentir o bebê mexer. “Oriento que a gestante se alimente, deite e estimule a barriga para ver se ele responde. Caso isso não aconteça, ela deve procurar o pronto-socorro para que seja feita uma avaliação por ultrassom”, diz.

Fonte: Revista Crescer
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