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Esportes Jogos Paralímpicos
01/09/2021 08h31
Por: Francine Dutra

Brasil conquista dois bronzes na bocha com Maciel Santos e José Chagas

A primeira medalha da bocha no Brasil em Tóquio é de uma figura já ambientada aos pódios paralímpicos. Campeão individual nas Paralimpíadas de Londres, em 2012, e prata na Rio 2016, Maciel Santos garantiu o terceiro lugar no individual da classe BC2, sem opção de auxílio de ajudantes. O bronze veio depois da vitória por 4 a 3 sobre Worawut Saengampa, da Tailândia, e foi o primeiro dos dois conquistados pelo Brasil na noite desta terça-feira (31), manhã de quarta no Japão, que também teve José Carlos Chagas entre os destaques, na classe BC1, onde os competidores podem ter auxílio para estabilizar a cadeira de rodas e receber a bola.

Maciel sabia que não teria vida fácil na disputa pelo bronze. O atleta tailandês foi nada menos que campeão mundial no individual e por equipes em 2018 e ouro por equipes há cinco anos, nas Paralimpíadas do Rio. No entanto, o brasileiro de 35 anos não demorou a mostrar os motivos que o credenciam a um dos principais nomes da modalidade no cenário atual. Analisando milimetricamente cada jogada, ele abriu 1 a 0 no primeiro dos quatro games. Depois, ampliou a vantagem na segunda parcial, fechando por 2 a 0.

Foto: REUTERS/Marko Djurica
Foto: REUTERS/Marko Djurica

Apesar do bom início, o brasileiro teve dificuldades para manter a consistência no restante do duelo. Foi assim que, no terceiro game, ele viu o atleta da Tailândia reagir e empatar o jogo em 3 a 3, liberando a bola branca (ou jack) com um arremesso implacável. No entanto, no último arremesso, Maciel devolveu de forma ainda mais brilhante para encostar na bola e dar números finais à partida. Final 4 a 3 para o Brasil e lugar garantido no pódio.

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Mesmo com a medalha, a jornada do brasileiro até o pódio em Tóquio não foi das mais simples. Nas semifinais, ele enfrentou Hidetaka Sugimura, número 2 do mundo, atual vice-campeão paralímpico e mundial, ambas na categoria por equipes. A derrota para o japonês por 3 a 2 naquela ocasião foi a única derrota de Maciel Santos no Japão. Após ter fechado a fase de grupos invicto, ele havia batido Hiu Lam Yeung, de Hong Kong, nas quartas de final, por 6 a 5.

Medalha inédita com José Chagas

Assim como Maciel, quem também coroou a campanha em Tóquio foi José Carlos Chagas, na classe BC1. Depois de perder nas semifinais e ter a invencibilidade quebrada, o brasileiro de 44 anos assegurou o terceiro lugar do pódio ao vencer o português André Ramos por 8 a 2. É a primeira medalha do Brasil na categoria.

O começo da disputa, no entanto, não foi como o brasileiro esperava. Ele acabou superado pela diferença mínima nos dois primeiros games, e retornou para o confronto com a missão de reverter o placar. A reação não demorou a aparecer. Em uma estratégia certeira, ele virou e ampliou a vantagem no último game em 8 a 2, afastando a bola branca e qualquer chance de medalha do adversário.

As conquistas garantidas na bocha levaram ao 19º bronze brasileiro em Tóquio, a 44ª medalha do país, que ocupa o sétimo lugar no quadro geral. Maciel Santos e José Chagas ainda voltam para as disputas por equipes, com o primeiro jogo do Brasil previsto para a noite desta quarta-feira.

Bocha paralímpica

Praticada por atletas com elevado grau de paralisia cerebral ou deficiências severas, a bocha paralímpica consiste em lançar as bolas coloridas o mais perto possível de uma branca (jack ou bolim). Todos os atletas competem em cadeira de rodas. No caso de pessoas com maior comprometimento dos membros, é permitido contar com ajudantes (calheiros) e instrumentos para auxiliar nos arremessos. É seguindo isso que as classes são distribuídas.

Na BC1, os atletas podem ter auxílio para estabilizar a cadeira e receber a bola. Na BC2, não há assistência. A BC3 é para atletas com deficiências muito severas, que utilizam instrumento auxiliar e podem ser ajudados por outra pessoa, e a BC4 para pessoas com deficiências severas que competem sem assistência.

Fonte: GE
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