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02/12/2021 15h39
Por: Bruna Dias

Gerente da Zara é denunciado pelo Ministério Público por racismo contra delegada

O gerente da loja Zara, o português Bruno Filipe Simões Antônio, foi denunciado pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) por racismo cometido contra a delegada da Polícia Civil do Ceará (PCCE), Ana Paula Silva Santos Barroso, em um shopping de Fortaleza. O caso aconteceu no dia 14 de setembro deste ano e o gerente foi indiciado pela PCCE no dia 18 de outubro último.

A denúncia do MPCE, enviada à 14ª Vara Criminal de Fortaleza nessa quarta-feira (1º), e obtida pela reportagem do Diário do Nordeste, concluiu que "diante de todos os elementos juntados aos autos, nota-se a prática de crime resultante de discriminação ou preconceito de raça, cor ou etnia com latente diferenciação de tratamento entre clientes do estabelecimento comercial". O caso foi enquadrado no artigo 5º da Lei nº 7716/1989 (que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor).

Divulgação
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"Verifica-se que o denunciado Bruno Filipe Simões Antônio impediu acesso a estabelecimento comercial, negando-se a servir, atender ou receber à vítima Ana Paula Silva Santos Barroso, sem qualquer outra razão fundamentada que não fossem as próprias características físicas da vítima", afirma o MP.

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A delegada Ana Paula Barroso entrou na loja Zara, dentro de um shopping localizado no bairro Edson Queiroz, na noite de 14 de setembro, com um sorvete na mão, o qual comia. O gerente Bruno Filipe se dirigiu até ela para pedir para ela se retirar do estabelecimento. Vídeos divulgados pela Polícia Civil mostram o episódio.

"Na sequência, a vítima questionou ao delatado em que se baseava a determinação e o motivo pelo qual não poderia permanecer na Loja, momento que Bruno Filipe Simões Antônio apenas dava a entender que era por determinação da segurança do Shopping Iguatemi. A ofendida ainda questionou se o motivo seria ela estar consumindo um sorvete, com a máscara abaixada, contudo, o denunciado se restringiu a afirmar que se tratava de questão de segurança", diz o MPCE.

Na versão de Bruno Filipe e da loja Zara, Ana Paula foi impedida de permanecer no local porque estava com a máscara abaixo do queixo, o que não era permitido por prevenção ao contágio por Covid-19. Entretato, o gerente atendeu normalmente uma cliente branca pouco antes de expulsar a delegada, negra.

Fonte: Diario no Nordeste
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