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26/01/2022 17h08 Atualizada há 5 meses
Por: Gustavo Henrique

Lendas piauienses que talvez você não conheça

O professor de História e Geopolítica, o  piauiense Shi Takeshita (32), formado pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI), desde 2015, falou um pouco sobre a importância de algumas lendas do Piauí para a sociedade.

Cabeça de Cuia

Foto: Gustavo Miranda ( @gustavomiranda00)
Foto: Gustavo Miranda ( @gustavomiranda00)

Crispim era um pescador que vivia da pesca nas águas do rio Parnaíba e habitava as suas margens, nas imediações em que o rio recebe as águas do Poti, zona norte de Teresina. Morava com a mãe, já velha e adoentada. Cetra vez, depois de passar um dia inteiro sem nada conseguir pescar, Crispim volta para casa cheio de frustração e revolta. Pede à mãe alguma coisa para comer, e esta lhe serve o que tinha: uma rala sopa de osso.

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Irritado, Crispim grita que aquilo é comida para cachorro, e em seguida pega o osso e parte para cima da mãe, atingindo-a várias vezes. Desesperado, o pescador sai correndo porta afora e joga-se nas águas do rio, enquanto a mãe, agonizando, lança-lhe uma maldição: haverá de se transformar em um terrível monstro, que só descansará quando lhe forem sacrificadas sete  virgens chamadas Maria.

Crispim se transforma no Cabeça-de-Cuia, que surge do fundo das águas para assustar as lavadeiras e ameaçar os pescadores que pesquem em excesso, além do que precisam. Dizem que, durante a noite, o Cabeça-de-Cuia se transforma num velho e sai vagando pelas ruas de Teresina.

“Todas essas lendas tem um lado pedagógico, mais ou menos como se fosse um fundo pedagógico do folclore da nossa cultura popular que é ensinado principalmente de forma oral para crianças e jovens da nossa sociedade”, ressaltou o professor.

“No caso dessa lenda, podemos encontrar algumas lições, dentro de uma lição maior, pois temos a questão da desobediência, do desrespeito do jovem em relação a sua mãe, de como essa família viva, pois eram humildes, onde revela que a sociedade piauiense no início era bastante humilde, principalmente as pessoas que ficaram na comunidade da Vila do Poti”, contou o professor.

O que se pode tirar de aprendizado

“Primeiramente dá para vermos o contexto social que esses personagens vivem, o ensinamento final que é a proibição, onde moças virgens não poderiam vir para o local do encontro dos rios Poti e Parnaíba sozinhas. Evitar algum tipo de contato com alguns pecadores pois poderiam querer abusar das mesmas, desonrando-as, onde tenho como uma lição final”.

“Mas temos como lição principal, como para as crianças, é a questão da desobediência aos pais, onde dá a ideia para elas de que com isso correm o risco de serem amaldiçoadas, não obrigatoriamente pela mãe, mas que pode sim sofrer algum castigo, se transformando em uma criatura horrenda”, acredito assim ressaltou ele. 

Num-se-pode

É uma lenda tipicamente teresinense. Conta a história de uma linda mulher que, tarde da noite, aparecia na praça Saraiva ostentando sua beleza debaixo de um dos lampiões ali existentes. Movidos por aquela bela aparição, os homens se aproximavam para conversar ou, quem sabe, aventurar mais uma conquista. Ao chegarem perto, a linda mulher pedia-os cigarro, e quando recebia começava a crescer, crescer, até atingir o topo do lampião de gás e nele acender o cigarro. Enquanto crescia, ela repetia: “num-se-pode, num-se-pode, num-se-pode…”

Shi comentou que essa lenda é bem mais urbana, do que uma lenda rural ou agrícola como é, no caso como do ‘Cabeça de Cuia’, que são as duas principais lendas de Teresina.

“Sabemos que a praça Saraiva, ode foi a principal localidade de uma área de prostituição, daqui da capital, então é muito significativa a aparição dessa mulher bonita, que depois de pedir um cigarro para os homens que estavam ali transitando durante a noite, onde ela aparecia assustando eles na medida que ela ia crescendo muito para ascender o cigarro pedido em um daqueles lampiões a gás que tinham antigamente no centro de Teresina que faziam a iluminação. Ela é muito significativa, pois na verdade ela revela uma lição, de que os homens não deveriam frequentar aquele lugar de prostituição, e sim permanecerem em casa sem procurar esse tipo de aventura fora, pois caso contrário ele ainda fosse fazer isso eles seriam assombrados por essa mulher”, disse o professor de história.

Miridam

Era a mais bela jovem da tribo dos Acaroas, que habitava as margens do rio Paraim. Por ter sido escolhida dos deuses, Miridan nunca poderia se casar. Somente o velho pajé Piauiguara sabia que, se Miridan conhecesse o amor, ela teria um membira (filho, na língua Tupi) que não poderia sobreviver. E assim aconteceu. Não sabendo como esconder o filho desse amor, e com medo de que o mesmo fosse sacrificado, Miridan colocou-o num tacho e soltou a pobre criança nas águas do rio Paraim. A natureza se revoltou, o céu ficou escuro e fez descer um corpo estranho que penetrou na terra e abriu uma enorme fenda, por onde jorrou muita água, até formar uma grande lagoa. É hoje a chamada lagoa de Parnaguá, localizada no sul do Piauí.

Depois de todos esses acontecimentos, Miridan, com saudades do filho, se jogou na água para ficar junto dele. Segundo a lenda, o membira habita o fundo da lagoa e é protegido pelas iaras. De lá, ele só sai nas tardes de março, para anunciar o inverno em Parnaguá. Como não diz uma palavra, conta a lenda que no dia em que falar será enviado de Tupã para prever o fim do mundo.

O que se pode tirar de aprendizado em relação a essa lenda

“Do ponto de vista indígena, podemos ter nessa lenda a tentativa de explicação de surgimento da lagoa, sabemos que ela existe e é grande a lagoa de Parnaguá, e ela é uma busca de explicação de origem dessa lagoa, onde do ponto de vista moral, se tira a lição de que suas índias acaroas, não poderiam se relacionar com colonizadores que estavam começando a chegar no território do Piauí”, disse ele.

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