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Entretenimento - Segundo Sol

Postada em 26/05/2018 ás 11h14

Publicada por: Redação

Fonte: TV Foco

Associação de negros processa a Globo por baixo número de negros em novela
Trata-se da União de Negros Pela Igualdade (Unegro), que entrou no dia 14 de maio com uma ação que pede mudança radical no elenco da novela.
Associação de negros processa a Globo por baixo número de negros em novela

Foto: Reprodução

Uma novela dentro da novela. O baixo número de negros na novela Segundo Sol, que é ambientada na Bahia, continua dando o que falar e vem promovendo dor de cabeça para a Globo. Mais uma vez, o assunto foi parar na justiça por conta de um processo movido por uma associação. Trata-se da União de Negros Pela Igualdade (Unegro), que entrou no dia 14 de maio com uma ação que pede mudança radical no elenco da novela para que represente a verdadeira diversidade racial do estado. Ângela Guimarães, presidente da entidade e filiada ao Partido Comunista do Brasil (PC do B), explicou a ação em entrevista à Veja.

“Vem das denúncias que o movimento negro já faz há décadas da ausência de representatividade negra na televisão brasileira. Agora, estamos falando especificamente de uma novela da Rede Globo que se passa na Bahia. Mas a gente pode estender para o conjunto da programação das TVs. Porque a gente não vê os cerca de 54% de população negra do país refletidos nos apresentadores de telejornais, nos repórteres, nos personagens das novelas”, contou.

Ousado, o movimento pede uma porcentagem grande de negros na novela das 21h: “Queremos a incorporação da real proporcionalidade da população negra do estado no elenco da novela. Nós queremos 80% de negros. Esse é o nosso vetor da mobilização. Quando for no Sul do país, a gente aceita ser 12%, 15%, 20%. Mas, sendo na Bahia, em Salvador, onde cada poro da cidade respira a herança africana, desejamos ser 80%, que é quanto nós somos aqui“, revelou.

Ângela ainda reclamou do esteriótipo do baiano que é apresentado pela mídia: “Entre as poucas novelas que retratam a Bahia, 90% delas fazem isso de forma estereotipada. Porque nós não nos reconhecemos naquele sotaque, nos estereótipos da baiana brejeira, sensual e sempre disponível para o sexo, do baiano preguiçoso ou do malandro. Não nos reconhecemos nessas tramas. O que nós queremos é, de forma educativa, levar a Globo e outras televisões brasileiras a compreenderem que vivemos outro momento histórico, no qual a maioria da população já se autodeclara negra e há uma explosão de movimentos de afirmação dessa negritude. Queremos trazer as televisões para o século XXI“.

 

Foto: Arquivo Pessoal

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